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Convenção

Alves afirma que divisão não ameaça 'coerência e unidade' do PMDB

Presidente da Câmara declara que aliança continua, ‘independentemente das realidades locais’, ao falar sobre ratificação da chapa Dilma-Temer pelo partido com margem de votos inferior à esperada
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 11/06/2014 12h18, última modificação 11/06/2014 12h28
Presidente da Câmara declara que aliança continua, ‘independentemente das realidades locais’, ao falar sobre ratificação da chapa Dilma-Temer pelo partido com margem de votos inferior à esperada
antonio cruz/ABr
Henrique Alves

Atual presidente da Câmara deve disputar governo do Rio Grande do Norte, onde PMDB e PT não estão juntos

Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tentou explicar, ontem (10), o motivo de a confirmação da aliança da legenda com o PT nas eleições presidenciais ter obtido uma aprovação mais apertada do que o esperado: “O PMDB é uma legenda que sempre teve uma divisão democrática das suas bancadas, mas essa divisão jamais ameaçou a coerência e a unidade do partido”, destacou.

A declaração, na prática, foi vista como uma forma de justificar o que todos que acompanham o cenário político do país já esperavam – apesar de uma legenda cada vez mais dividida, o PMDB não abrirá mão de manter a chapa Dilma Rousseff - Michel Temer e sua participação no governo.

Ao enfatizar que falava não como presidente da Câmara, mas em nome próprio, como alguém que “há mais de 20 anos defende a bandeira do PMDB”, Alves citou exemplos de rupturas entre peemedebistas e petistas em vários estados como o seu (Rio Grande do Norte). E acentuou que, apesar dessas divergências, os integrantes da legenda entendem que é preciso reeditar a aliança, “independentemente das realidades locais”, frisou.

“No Rio Grande do Norte (onde Alves pretende disputar o governo estadual nas próximas eleições) temos claras divergências com o PT estadual, que não nos apoia. Mas sabemos dividir as coisas e jamais colocaria minha história à frente da história do PMDB”, afirmou.

Apesar do desgaste no relacionamento entre petistas e peemedebistas observado nos últimos anos, os líderes da legenda esperavam, na convenção, uma espécie de ratificação da chapa Dilma-Temer por aproximadamente 70% dos presentes. A aliança, no entanto, foi confirmada por 59% dos votantes – com 398 votos favoráveis e 272 votos contrários.

Cenário nos estados

A fala de Alves chamou a atenção, em especial, para representantes dos estados onde a aliança PT-PMDB mais apresenta problemas. No Rio de Janeiro, onde o PT lançará candidato próprio ao governo do estado, o senador Lindbergh Farias, enquanto os peemedebistas terão como candidato o atual governador, Luiz Fernando Pezão, o prefeito da capital, Eduardo Paes, disse que o partido, com a aliança, “reforça seu papel como condutor da democracia”. “Nosso compromisso democrático é pela continuidade de governo. Nesse sentido, é fundamental a reeleição da presidente Dilma Rousseff”, colocou.

Também comentando o caso do Rio de Janeiro, o vice-presidente Michel Temer aproveitou, em sua fala, para acentuar a intenção do partido de, resguardada a aliança nacional, ao mesmo tempo atuar de forma firme nos seus interesses estaduais, nos casos em que cada legenda apresente seu candidato. No mesmo tom de Alves, o vice-presidente disse que “o PMDB nacional estará presente no Rio de Janeiro para garantir a eleição de Pezão”.

A convenção nacional do PMDB teve a participação da presidenta Dilma Rousseff, que ao agradecer a parceria, disse que as dificuldades de seu governo foram superadas com o apoio dos peemedebistas. Além de classificar o PMDB como protagonista nas suas políticas, a presidenta ressaltou que precisa do partido para “fazer a melhor campanha” e “governar com mais intensidade para o país”.

Antes de destacar o nome de governadores, senadores e deputados peemedebistas, a Dilma Rousseff elogiou o papel de Temer como vice-presidente e enfatizou que ele tem atuado com “lealdade, competência e camaradagem” e como “articulador do consenso”.

“Eu faço questão de ressaltar que muito do que meu governo alcançou deve-se a essa parceria que tivemos. E o papel do Temer nesse processo foi inestimável: ele articulou consensos em todas as circunstâncias. Eu acredito que ele sabe aproximar pessoas, unir, desarmar os espíritos. E ele ajudou muito na luta”. Segundo o vice-presidente, o partido está habilitado para continuar a coalizão. “O Brasil continuará a se desenvolver por conta dessa aliança.”

* Com Agência Brasil