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Eleições 2014

Divergências entre PSB e Rede são 'do processo democrático', diz aliado de Campos

Legenda de ex-governador de Pernambuco e 'partido' de Marina Silva ainda não conseguiram chegar a consenso sobre candidato a sucessão de Geraldo Alckmin no maior colégio eleitoral do país
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 09/05/2014 11h31, última modificação 09/05/2014 15h18
Legenda de ex-governador de Pernambuco e 'partido' de Marina Silva ainda não conseguiram chegar a consenso sobre candidato a sucessão de Geraldo Alckmin no maior colégio eleitoral do país
arquivo rba
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Marina Silva e Eduardo Campos no anúncio da aliança. Contrariedades aparentes no planejamento eleitoral

São Paulo – O PSB de Eduardo Campos e a Rede Sustentabilidade de Marina Silva, abrigada na legenda do ex-governador de Pernambuco, trabalham com o prazo final das convenções partidárias, de 30 de junho de 2014, para definir os candidatos aos governos estaduais nas eleições de outubro. As divergências e o fato de a Rede se manter como estrutura partidária informal e independente, mesmo após seus membros se filiarem ao PSB, fazem parte do "processo democrático" na relação entre ambos, segundo o deputado federal Julio Delgado (PSB-MG).

“Tratamos os membros da Rede filiados ao PSB, a exemplo da Marina, como um partido aliado, coligado, embora institucionalmente não seja um partido registrado”, diz o parlamentar, que ontem visitou o Triângulo Mineiro com Eduardo Campos.

Para o PSB, afirma Delgado, os conflitos de interesses, como no estado de São Paulo, onde Rede e PSB não chegaram ainda a um consenso sobre qual nome disputará o Palácio dos Bandeirantes, são normais e o objetivo é a eleição nacional. “Pelo próprio reconhecimento que a gente tem da força e da presença da Marina dentro do partido, mas representando a Rede, isso é do processo”, afirma. “Vamos conduzir esse processo com toda a tranquilidade respeitando a manifestação democrática desses companheiros que vieram ao PSB, mas vamos tomar a decisão pensando no palanque nacional de Eduardo Campos e Marina. Essa é a prioridade para todos nós. Nosso tempo são as convenções de 10 a 30 de junho.”

“São dois partidos independentes. O que houve foi uma filiação democrática e transitória, negociada quando Marina foi pro PSB. Agimos como dois partidos.A única coisa é que a Rede não tem o registro legal, mas tem convenção, encontro e tudo mais”, explica Célio Turino, porta-voz da Rede e, pelo menos no momento, junto com o biólogo João Paulo Capobianco, pré-candidato indicado pelo grupo para disputar o governo pelo PSB, conforme indicação de convenção da entidade.

Em São Paulo, a legenda de Campos e a organização de Marina têm protagonizado debates acalorados em torno da escolha do nome e existe até a possibilidade de não saírem juntos na disputa pela sucessão de Geraldo Alckmin.

A Rede não aceita o nome do deputado federal Márcio França (PSB-SP) por sua proximidade ao governador. Embora Turino diga que não se trata de um veto, a própria Marina Silva rejeitou a possibilidade. Desde o ano passado, França defendia um acordo para ser vice na chapa encabeçada por Alckmin. Depois, tornou-se alternativa para ser ele mesmo o candidato, mas a Rede vetou. “Se for Márcio França, já explicitamos que não vamos estar junto no estado. Vai ter um outro caminho", diz Turino. Entre os nomes passíveis de serem apoiados pela Rede, de acordo com ele, estão os de Vladimir Safatle, do PSOL e Natalini, do PV.

A Rede concordaria com o nome da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). “Buscamos uma candidatura que expresse o sentimento das ruas, o movimento de junho, a busca de uma nova política de fato”, explica Turino. “Erundina nós apoiamos, tanto que, na nossa convenção, a Rede retirou dois nomes que estavam postos, Walter Feldman e Mateus Prado, que não estarão mais colocados, e apresentou dois novos nomes. Também estamos abertos a outros nomes do PSB, desde que expressem esse outro caminho, o que não é o caso de Márcio França.”

Para Júlio Delgado, a oposição no PSB representada por Erundina, de um lado, e França, de outro, mostra “que o partido que não faz a política de centralismo”. “Nós admitimos que tenham posições divergentes. Não existe centralismo democrático, existe democracia e uma nova forma de pensar. Lá na frente vamos estar juntos”, prevê.

'Cheiro de derrota'

Segundo Delgado, as declarações de Marina Silva, que ontem afirmou que a candidatura do senador Aécio Neves (PSBD-MG) “tem cheiro de derrota”, manifesta o sentimento de parte do eleitorado para o qual a candidatura de Eduardo Campos é mais viável como adversário da presidenta Dilma Rousseff no segundo turno. “Tem muita gente que acha que aquele que tem viabilidade eleitoral para derrotar a Dilma no segundo turno é Eduardo e não Aécio. Marina expressou o sentimento de uma parcela de membros da Rede, do PSB ou do Brasil que pensa dessa forma”, diz o parlamentar de Minas.

A RBA procurou Márcio França, presidente do PSB em São Paulo, mas não obteve retorno.