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Direitos Humanos

Brasil precisa receber imigrantes com garantia de dignidade, diz Tião Viana

Governador do Acre defende direito de ir e vir de imigrantes haitianos e questiona polêmica com paulistas: 'É só porque são negros?'; acordo com o governo federal deve melhorar fluxo de recém-chegados
por Diego Sartorato, da RBA publicado 13/05/2014 10h22
Governador do Acre defende direito de ir e vir de imigrantes haitianos e questiona polêmica com paulistas: 'É só porque são negros?'; acordo com o governo federal deve melhorar fluxo de recém-chegados
Sérgio Vale/ SECOM
tião

Tião Viana visita haitianos no abrigo de Brasileia, onde imigrantes foram recebidos até abril

São Paulo O governador do Acre, Tião Viana (PT), concedeu entrevista ontem (12) ao Roda Viva, da TV Cultura, em que alertou sobre a necessidade de o Brasil se preparar para garantir, de fato, os direitos garantidos aos refugiados no país, como abrigo, alimentação e transporte. "O Brasil se colocou nessa posição, de receber bolivianos, peruanos, pessoas de todo o continente. Nos próximos anos, vão vir mais pessoas. É só ver como é a movimentação de imigrantes na Europa, por exemplo. Então você precisa atender a essas pessoas, garantir o que está na Constituição ao estrangeiro que recebe o visto. Claro que vai criar problemas, mas tem de fazer de forma conceitual, eficiente, modelo", disse, ao ser questionado sobre a saída de haitianos do Acre rumo a cidades de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

"Já comuniquei diversas vezes ao governo federal que esse é um problema real e que vai aumentar. Vai se transformar em um problema de dimensão nacional", afirmou.

Viana comentou ainda os desentendimentos com o governo estadual de São Paulo, que reagiu de forma surpresa com a chegada dos haitianos. "No ano passado, oito mil bolivianos entraram pelo Acre, pegaram vistos e foram para São Paulo. Não houve reclamação então por que? Criou-se uma crise aqui quando chegaram apenas 138 haitianos. No Acre, já chegamos a receber 300 em um dia", garantiu. Ao comentar a chegada de haitianos na capital paulista, a secretária de Justiça e Defesa da Cidadania do estado de São Paulo, Eloisa de Souza Arruda, chegou a afirmar que o governo do Acre agia como "coiote" agente que facilita a entrada ilegal de imigrantes. "Com que autoridade e por que motivo eu iria prender as pessoas aqui? Se o cidadão está com visto no país, tem de valer para ele o que está na Constituição. Oferecemos transporte a uma minoria que nos solicitou para encontrar a família", rebateu o governador.

Os maiores questionamentos do governador, no entanto, foram dirigidos à reação de grupos que se manifestaram de forma preconceituosa nas redes sociais em relação aos imigrantes haitianos. "O que eu chamo de elite paulistana é isso, quem tem essa mente fechada, preconceituosa, que não compreende que este é um mundo de solidariedade. Que reagiram nas redes sociais mandando 'levarem embora os negros'", ressaltou. "Por isso, me sinto no direito de questionar a polêmica. É só porque são negros?", indagou.

Viana anunciou acordo fechado com os governos do estado de São Paulo, com a prefeitura e com o governo federal para a chegada dos haitianos: o apoio principal de entrada no país terá de ser, obrigatoriamente, Rio Branco, capital do Acre, de forma que os imigrantes não partam para outros estados antes de ter a documentação concluída. Para isso, o Brasil tentará garantir que o visto de entrada seja emitido já em Porto Príncipe, no Haiti. "O Acre é a principal entrada e será lá o principal ponto de apoio. Fechamos hoje esse acordo com o Mercadante [Aloizio, ministro da Casa Civil]", contou.

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