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1º de Maio

Assessor de Gilberto Carvalho diz que Dilma mandou recado claro à oposição

'A principal mensagem é de que, neste governo, não se retira direitos e se mantém políticas sociais', diz Feijóo, para quem centrais perderam chance de acabar com fator previdenciário e reduzir jornada
por Vitor Nuzzi publicado 01/05/2014 14h43, última modificação 01/05/2014 16h16
'A principal mensagem é de que, neste governo, não se retira direitos e se mantém políticas sociais', diz Feijóo, para quem centrais perderam chance de acabar com fator previdenciário e reduzir jornada
Roberto Stuckert Filho / PR
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Dilma recebe presidentes das centrais em 2013: para assessor, uma diferença em relação a outros governos

São Paulo – Ao reafirmar compromissos com políticas sociais, a presidenta Dilma Rousseff manda "um recado claro" àqueles que se beneficiaram em outros momentos à custa de medidas prejudiciais aos trabalhadores, avalia o assessor especial José Lopez Feijóo, da Secretaria-Geral da Presidência da República. "A principal mensagem é de que, neste governo, não se retira direitos e se mantém políticas sociais. Cada um interpreta como quer", afirmou. Ele disse também que o governo não deixa de negociar com as centrais sindicais, que volta e meia se queixam de falta de interlocução com o Planalto.

"Ela recebeu as centrais várias vezes. Alguns assuntos têm mais dificuldade, outros têm menos. O que não foi atendido hoje pode ser atendido amanhã", diz Feijóo, citando a manutenção da política do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, anunciadas ontem (30) por Dilma em pronunciamento nacional. "É a reafirmação de uma política comprometida com a classe trabalhadora. Isso (a política do mínimo) faz com que todas as categorias organizadas busquem em suas campanhas salariais uma elevação dos salários. E a correção (da tabela) mantém recursos no bolso dos assalariados."

Sobre outras reivindicações, Feijóo, também oriundo do movimento sindical, disse que as centrais perderam a chance de ter resolvido, por exemplo, temas como o fim do fator previdenciário e a redução da jornada. "O fator foi criado no governo Fernando Henrique Cardoso, o mesmo que chamou os aposentados de vagabundos. Em 2010, havia um acordo", lembrou, referindo-se à chamada proposta 85/95, que consideraria a soma de tempo de serviço e da idade para fins de aposentadoria. Mas também havia um projeto que acabava com o fator e as negociações acabaram interrompidas. Agora, o assessor especial observa que é preciso considerar as consequências econômicas e o passivo da Previdência decorrente da medida. "Tudo o que você faz tem impacto."

Para ele, a questão a ser debatida não se restringe ao fator, mas à própria manutenção da Previdência Social, considerando um cenário de envelhecimento da população e o crescimento do número de aposentados. "Nosso sistema é de solidariedade entre gerações. Quem trabalha sustenta quem está aposentado. E a conta tem de fechar. O debate é qual será a Previdência e como ela será financiada."

Em relação à jornada, Feijóo disse que também houve oportunidade de se firmar um acordo para diminuição gradual (meia hora por ano, por exemplo), até chegar às 40 horas semanais. "Fomos para tudo ou nada", comentou. Agora, diz ele, "os impactos precisam ser negociados do outro lado". O assessor especial acredita que, hoje, a solução passará por negociação direta.

O representante da Secretaria-Geral da Presidência também falou sobre o tema do 1º de Maio, relativo aos meios de comunicação. "Os monopólios tendem a fazer sua lei, abusam do seu poder. Agora, não temos um monopólio (na comunicação), mas um cartel. E de mão única."

A manifestação no Anhangabaú, região central de São Paulo, é organizada por três sindicais (CUT, CTB e CSB).