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Eleições 2014

Em São Paulo, Eduardo Campos prega 'neolulismo', mas sinaliza reformas à direita

Presidenciável do PSB defende pacto com movimentos sociais e empresários similar à 'Carta ao Povo Brasileiro', de Lula. Para a economia, diz que 'quantidade no mercado de trabalho' está superada
por Diego Sartorato, da RBA publicado 10/03/2014 15:09
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Presidenciável do PSB defende pacto com movimentos sociais e empresários similar à 'Carta ao Povo Brasileiro', de Lula. Para a economia, diz que 'quantidade no mercado de trabalho' está superada
Danilo Verpa/Folhapress
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Para não despertar resistências, Campos quer reforma tributária válida oito anos após aprovação

São Paulo – O governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos, esteve na manhã de hoje (10) na capital paulista para participar do debate "O Brasil do Futuro: um olhar estratégico sobre o país no século 21", organizado pela Associação Comercial de São Paulo. Acompanhado de líderes históricos da oposição aos governos petistas, como Jorge Bornhausen, Heráclito Fortes (ex-DEM, atualmente no PSB) e Pimenta da Veiga (PSDB), Campos defendeu mais diálogo no âmbito de "um novo pacto social e político" entre movimentos populares que cobram mais investimento do Estado em serviços públicos e o empresariado nacional, em discurso similar ao adotado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) na campanha de 2002. Falando sobre economia, no entanto, sinalizou inclinação por políticas de sentido contrário às implantadas pelo PT na última década, especialmente em relação ao incentivo ao pleno emprego.

"O Brasil precisa melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. É essa a cobrança nas ruas. E é necessário melhorar com mais educação, transporte, lazer e saúde, com menos burocracia. Por outro lado, temos o desafio da produtividade. Não tem mais como crescer pela quantidade [de trabalhadores] no mercado de trabalho. Temos de encarar esse desafio", resumiu. Campos criticou ainda a falta de comunicação do Planalto com empresários e investidores, e disse que, em diversas situações, "a forma prejudicou o conteúdo" do diálogo da presidenta Dilma Rousseff com o setor privado. Defendeu, por fim, que a reforma tributária seja discutida, votada e aprovada no começo do próximo governo, mas com aplicação apenas oito anos após a aprovação, para reduzir a oposição de governantes estaduais e municipais à redistribuição da arrecadação tributária.

Ao longo do discurso, Campos pontuou diversas vezes que vê o Brasil em crises "econômica", "política", "ambiental", "de valores", "de confiança", e "de expectativas", além de sentenciar o "esgotamento do presidencialismo de coalizão", para as quais a solução, segundo o presidenciável pessebista, é um novo acordo entre as forças políticas e econômicas do país. "Em 2010, 70% queriam a continuidade. Hoje, 70% querem a mudança. Estamos diante da necessidade de um novo pacto social, que tem de ser espelhado no pacto político", ponderou, e ressaltou que "o brasileiro espera de suas lideranças empresariais o mesmo que de suas lideranças políticas. Precisamos, juntos, fazer mais pelo país".

Apesar de pregar "o novo" como principal contribuição ao debate eleitoral deste ano, o tom do discurso de Campos é bastante similar ao da Carta ao Povo Brasileiro, assinada por Lula durante a campanha eleitoral de 2002 para acalmar investidores privados preocupados com as transformações econômicas que seriam levadas a cabo por um governo federal petista. No texto, Lula apontava "o esgotamento do modelo" de governo do PSDB, critica a "crise de confiança" que prejudicava a economia brasileira e celebrava a reunião de líderes populares, intelectuais e empresários em torno de uma "vasta coalizão", em respeito ao "grande desejo de mudança" do povo brasileiro.

Dividido entre o aceno à direita e a retomada de um discurso de linha "lulista", Campos, que elegeu a crise econômica de 2008 e os desdobramentos como estopim de uma reorientação no caminho de ser adversário político de Dilma e do PT, preferiu não definir onde a chapa que compõe se encontra entre as forças políticas que acreditam em um Estado forte como principal ferramenta de combate à crise e aqueles que pregam a austeridade e o corte dos gastos públicos. "Nossa chapa é do diálogo. Vamos construir, em nosso plano de governo, a nossa proposta", resumiu, em coletiva à imprensa.

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