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Sufoco

A delegados, corregedor da polícia legitima violência do governo Alckmin na 'cracolândia'

Para responsável em exercício do órgão, uso da força contra usuários de drogas não foi desproporcional
por Diego Sartorato, da RBA publicado 24/01/2014 13h30, última modificação 24/01/2014 14h09
Para responsável em exercício do órgão, uso da força contra usuários de drogas não foi desproporcional
Divulgação/ Acadepol
Arles Gonçalves Jr.

Arles Gonçalves Jr., da Comissão de Segurança da OAB, defende a polícia e critica reação inadequada de autoridades municipais

São Paulo – O corregedor em exercício da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Naoki Miyazaki, que comanda o órgão durante as férias do titular Nestor Sampaio Penteado Filho, legitimou hoje (24) a violenta ação do governo Geraldo Alckmin (PSDB)  realizada ontem na região da cracolândia, centro de São Paulo, contra usuários de droga.

Durante audiência pública com delegados de polícia hoje de manhã, também no centro da cidade, Miyazaki disse não acreditar que o o uso da força tenha sido desproporcional. Afirmou também que a polícia civil não tem obrigação legal de comunicar outros órgãos sobre suas ações. A imprensa não foi autorizada a entrar na sala onde ocorria a reunião, mas a RBA ouviu as falas do lado de fora, já que as portas estavam abertas.

A ação na cracolândia foi promovida pelo Departamento de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) para supostamente prender traficantes. A violência contra os usuários interrompeu a visita de secretários municipais ao programa Braços Abertos, da prefeitura, e causou conflito com dependentes de crack que estavam no local. A Polícia Militar e a prefeitura dizem não ter sido informadas sobre o ação.

Na saída da reunião com os delegados,  a RBA questionou Miyazaki sobre a possibilidade de a corregedoria investigar a operação, mas ele recusou-se a falar. O corregedor em exercício também não quis explicar se outras comunicações informais sobre o ocorrido estão sendo feitas a delegados da Polícia Civil.

Durante o encontro de hoje, o presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB de São Paulo, Arles Gonçalves Jr.,também elogiou a ação da polícia.

"Se a Polícia fizer uma comunicação sobre quem pretende prender, já está prejudicada a operação. A ação correu normalmente, e o uso da força ocorreu apenas porque os usuários reagiram de forma violenta à presença dos policiais, com pauladas e pedradas", defendeu o advogado após o encontro.

Gonçalves afirmou que entre dezembro e janeiro, 65 prisões foram realizadas na região, e que, nas ocasiões anteriores, não houve tumulto. Na ação de ontem, cinco pessoas foram presas em flagrante: quatro por tráfico de drogas e uma por depredação de patrimônio e desacato.

Ele chegou a levantar a hipótese de que o programa da prefeitura (de acolhimento, ao invés de repressão) possa ter "insuflado" os usuários contra a polícia.

"O que pode ter acontecido, em função de haver autoridades da prefeitura no local, é que eles se insuflaram. Se as autoridades municipais tiveram qualquer reação de surpresa, foi equivocado. A ação da polícia foi legítima e não ter de ser contestada", finaliza.