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Renúncia

‘Genoino tem história que se confunde com a da luta pela democracia’, diz Guimarães

Líder do PT subiu à tribuna para conclamar o agora ex-deputado, disse que ele não abandonará a militância e que a história, um dia, saberá fazer juz à sua pessoa
por Hylda Cavalcanti publicado 03/12/2013 20h49, última modificação 04/12/2013 07h33
Líder do PT subiu à tribuna para conclamar o agora ex-deputado, disse que ele não abandonará a militância e que a história, um dia, saberá fazer juz à sua pessoa
Sérgio Lima/Folhapress
guimarães

Guimarães: "Renunciou, entre outros motivos, porque não gostaria de expor o PT"

Brasília – Numa espécie de acerto de contas com o Congresso e esclarecimento aos militantes do PT, o líder do partido na Câmara, José Guimarães (CE) – também irmão de José Genoino, que entregou sua carta de renúncia nesta terça-feira (3) – subiu à tribuna da Casa para homenagear o agora ex-deputado. Ele afirmou que a história de Genoino “se confunde com a do PT” e tem certeza que os parlamentares do partido, “independentemente de voto aberto ou não”, não deixariam de apoiar o antigo companheiro durante uma votação pela sua cassação.

“Ele (Genoino), todos sabem, tem uma história que se confunde com a história da luta pela democracia e do povo brasileiro. Renunciou, entre outros motivos, porque não gostaria de expor o PT, mas sabe que tem o apoio do partido nesta luta”, enfatizou.

Guimarães lembrou uma frase de Ulysses Guimarães sobre Genoino, para quem o então deputado constituinte sintetizou os anseios do parlamento, durante a elaboração da Constituição de 1988. O líder petista também destacou várias épocas que marcaram a trajetória do agora ex-deputado. Salientou que espera, um dia, ver a história fazer jus ao trabalho do irmão, e restituir o seu mandato, de forma semelhante à que foi observada, recentemente, com o ex-presidente João Goulart (quando foi anulada, em votação simbólica, a sessão legislativa que o destituiu do cargo de presidente da República em 1964).

“Estou discursando para expressar os sentimentos do PT à população. Genoino não pôde vir aqui fazer a sua renúncia porque está em prisão domiciliar e em razão da suas condições de saúde. Diante das circunstâncias, foi obrigado a entregar sua carta de renúncia e, como ele mesmo afirmou em entrevista, foi condenado num processo sem que nunca tivesse mexido com dinheiro”, frisou.

Sempre militante

De acordo com o líder, José Genoino teria dito que jamais iria deixar de lutar pelo país. “Ele deixa de ser deputado, mas não sua condição de militante. Foi grandioso em todos os momentos”, colocou. A fala de Guimarães provocou discussões entre alguns parlamentares da oposição, que protestaram pelo fato de o discurso atrasar a sessão extraordinária, e contou com um aparte do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Criticado no início da tarde por sua atuação no processo que resultou na renúncia de Genoino, Alves chegou a dizer que o comunicado do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão dos réus “praticamente pedia que ele fosse cassado sumariamente”. Acrescentou que, mesmo recebendo queixas por isso, resolveu dar início ao processo na mesa diretora porque conhece a história e o trabalho atuante do ex-deputado. “Assumir a presidência desta Casa tem, muitas vezes, o bônus de missões difíceis. Por isso, faço questão de fazer dar aqui o meu depoimento e deixar meus elogios em relação a Genoino”, colocou.

A fala de Alves atuou como uma espécie de explicação, diante das declarações duras feitas no início da manhã pelo vice-presidente da Casa, André Vargas (PT-PR), mas não ajudou a apagar as arestas entre PT e PMDB em torno do episódio. O vice-presidente disse que está decepcionado com Henrique Alves. “Alves militou durante todo o tempo pela cassação. Teve uma postura lamentável, porque poderia ter acolhido os efeitos suspensivos do processo, uma vez que Genoino está afastado e temporariamente inválido”, reclamou.

Para Vargas, Genoino renunciou para não ter no seu currículo a pecha de parlamentar cassado. “Ele queria concluir uma história de 25 anos de atuação no Congresso sem nunca ter quebrado o decoro parlamentar”, afirmou.

Atualmente na casa de uma das filhas que mora em Brasília, enquanto se recupera de uma cirurgia cardíaca e aguarda resultado do pedido feito ao STF de reversão da sua pena para regime domiciliar, José Genoino encaminhou a carta de renúncia ao Congresso durante o início da tarde, logo depois que a mesa diretora da Câmara votou pela abertura do seu processo de cassação.