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PM usa truculência para impedir entrada de manifestantes na Assembleia Legislativa de SP

Grupo tentava se juntar a outras 400 pessoas que estavam na Casa pressionando deputados a pedirem instalação de CPI contra corrupção no Metrô
por Gisele Brito, RBA publicado 14/08/2013 19h25, última modificação 15/08/2013 01h00
Grupo tentava se juntar a outras 400 pessoas que estavam na Casa pressionando deputados a pedirem instalação de CPI contra corrupção no Metrô

São Paulo – Um grupo de 50 pessoas aproximadamente derrubou a grade da entrada da Assembleia Legislativa de São Paulo pela Rua Pedro Álvares Cabral, em frente ao Parque do Ibirapuera. A Tropa de Choque da Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogêneo e utilizou balas de borracha para contê-los. Estilhaços atingiram dois manifestantes. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, entre elas Severina Ramos do Amaral, da Central de Movimentos Populares (CMP).

O grupo tentava se juntar aos cerca de 400 manifestantes que estavam no auditório Juscelino Kubitschek da Assembleia, em ato dos movimentos populares, sociais e sindicatos, para pressionar os deputados a aprovarem a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias da companhia alemã Siemens de cartel em obras do Metrô. Apesar dos apelos dos deputados da oposição, a base governista não autorizou a entrada dos manifestantes.

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Segundo a bancada do PT, o requerimento para abertura da CPI já tem 28 das 32 assinaturas necessárias. Dois deputados da base governista assinaram o pedido de abertura, informou a bancada petista.

Por volta das 20h, o deputado Luiz Claudio Marcolino, líder do PT na Assembleia, foi ao carro de som para comunicar aos manifestantes que a bancada petista estava abandonando a sessão onde estava em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 01 - de autoria do deputado estadual Campos Machado (PTB), que restringe o poder de investigação dos promotores de Justiça -, em solidariedade aos que não conseguiram entrar.

Os manifestantes contaram com o apoio dos deputados estaduais Alencar Santana e Beth Sahão, Adriano Diogo, Francisco Campos Tito e João Paulo Rillo, além de Marcolino. A maioria é filiada ao Sindicato dos Químicos de São Paulo, ao Levante da Juventude Popular, à CUT e à CMP. “Estamos aqui para mostrar nossa insatisfação e pedir CPI já", disse Hugo Fanton, do Levante da Juventude Popular. Segundo ele, as denúncias de desvio de recursos do setor têm de ser apuradas e o dinheiro, devolvido aos cofres públicos para ser usado em transporte público”, acrescentou.

Em um momento de tensão os deputados Rillo e Adriano Diogo tiveram de romper o cerco policial, pular as grades amarradas com cadeado, para poder falar com os manifestantes do lado de fora.

“Isso é uma humilhação”, afirmou Diogo, enquanto as pessoas foram ao encontro da Tropa de Choque para tentar abrir a grade, momento em que os policiais se colocaram a postos.

É arrogante e ilegal a postura do presidente da Casa. Isso é medo que o PSDB demonstra pelo povo. Em um movimento pacífico, não há necessidade disso", afirmou Rillo.

“Essa quantidade de policiais é um absurdo, totalmente desproporcional ao número de pessoas que estão se manifestando aqui. É por isso que o povo se revolta, tenta invadir e depois não sabem por quê”, afirmou o coordenador estadual da CMP, Raimundo Bonfim.

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