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Serra chama repórter da RBA de 'sem-vergonha' e se recusa a responder sobre plano de governo

Como postulante à prefeitura, candidato derrotado à Presidência da República em 2010 mantém a prática de responder apenas às perguntas 'agradáveis' e veta acesso à agenda de campanha
por Redação da RBA publicado , última modificação 28/09/2012 18:29
Como postulante à prefeitura, candidato derrotado à Presidência da República em 2010 mantém a prática de responder apenas às perguntas 'agradáveis' e veta acesso à agenda de campanha

O tucano impede, desde o início da cobertura das eleições, o acesso da RBA à agenda de campanha (Foto: Nelson Antoine. Fotoarena)

São Paulo – O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, chamou de “sem-vergonha” repórter da Rede Brasil Atual durante cobertura de agenda de campanha hoje (28) na Mooca, região central da cidade. O tucano se recusou a responder a uma pergunta sobre seu plano de governo e, após ser questionado sobre um profissional de outro veículo de imprensa, abandonou a entrevista coletiva.

O fato se deu após Serra repetir uma prática comum em sua carreira política: a de questionar o veículo de origem do repórter e escolher as perguntas que deseja responder. O tucano caminhou pela Mooca, bairro onde cresceu e que gosta de evocar em seus discursos. No final da jornada, disse aos jornalistas que voltar ao lugar de sua infância lhe deu a ideia de criar um sistema municipal de ensino técnico e profissionalizante.

“Vamos aumentar em dezenas de milhares o número de alunos em parceria com o governador do estado, Geraldo Alckmin. É uma chance para crianças de famílias mais humildes subirem na vida”, propôs. “Isso me veio agora à cabeça lembrando de minha infância e juventude aqui.”

– A ideia veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo? – perguntou o repórter da RBA.

– De onde você é? – indagou o tucano, pergunta que promove habitualmente. Nas eleições de 2010, quando descobriu que havia interpelado um repórter da Rede Globo, Serra pediu desculpas.

– Não interessa – respondeu o repórter. – O sr. vai responder à minha pergunta ou não?

– Eu quero saber de onde.

– Da Rede Brasil Atual.

Serra, então, fez um gesto de desdém e ameaçou encerrar a entrevista, mas permaneceu no local após insistência dos jornalistas. O candidato foi questionado por um repórter do G1, portal de notícias da Globo, sobre declarações de seu rival e líder nas pesquisas eleitorais, Celso Russomanno (PRB). Antes de responder, porém, perguntou ao jornalista: "De onde você é?" Após ouvir "G1", o tucano assentiu e esclareceu a dúvida do profissional.

Depois, José Serra foi questionado novamente sobre a inexistência de seu plano de governo por um profissional do programa televisivo CQC, da Band. "Que solução você tem para resolver o problema do trânsito em São Paulo se nem plano de governo você apresentou?" O candidato disse que, sim, havia apresentado plano de governo e que o documento estaria na tevê, rádio e no Tribunal Regional Eleitoral. Confira o texto apresentado pelo tucano ao TRE.

Depois disso, o candidato o PSDB deu a conversa por encerrada. O repórter da RBA perguntou, então, por que Serra só responde a “perguntas favoráveis à sua campanha”, o que irritou o tucano: “Não, eu não respondo pergunta de sem-vergonha. É só isso.”

Histórico

Não é a primeira vez que o tucano tenta impedir o trabalho jornalístico da RBA. Nas eleições de 2010, em diversas ocasiões ele se recusou a responder às perguntas de veículos de comunicação que não lhe agradavam. 

Este ano, a RBA tentou acessar a agenda de campanha de Serra, mas foi impedida. O chefe de comunicação do tucano, Fábio Portela, refutou todos os pedidos apresentados logo início do período eleitoral. De lá para cá, ele não permite que os compromissos diários do candidato sejam divulgados, como fez hoje, o que vem impedindo a cobertura jornalística nos mesmos moldes daquilo que se faz com as atividades de Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT), por exemplo – os dois principais adversários do candidato derrotado à Presidência da República em 2010 têm respondido normalmente às perguntas que lhes são apresentadas por todos os veículos. 

A má relação de Serra e aliados com a nova mídia é notória. Este ano, o PSDB apresentou à Procuradoria Regional Eleitoral pedido de investigação da publicidade de autarquias federais a veículos considerados contrários aos interesses do partido – a sigla queria especificamente que fossem vasculhadas as contas de Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, e do blog de Luis Nassif. O pedido foi rejeitado.