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Durante ato em São Paulo, candidatos se comprometem a suspender Nova Luz

Russomanno, Haddad, Chalita e Giannazi ironizam candidato tucano e afirmam que compromisso não é 'papelzinho'. Soninha e Serra não estiveram na manifestação
por gisele publicado 24/08/2012 19h16, última modificação 24/08/2012 21h01
Russomanno, Haddad, Chalita e Giannazi ironizam candidato tucano e afirmam que compromisso não é 'papelzinho'. Soninha e Serra não estiveram na manifestação

São Paulo – Os candidatos à prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (PRB), Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Carlos Giannazi (PSOL) assinaram na tarde de hoje (24), durante ato na rua Santa Ifigênia, no centro da capital, um compromisso de que, caso eleitos, vão suspender e revisar o projeto Nova Luz. Paulinho da Força (PDT) foi representado pelo deputado estadual Major Olímpio. José Serra (PSDB) e Soninha Francine (PPS) não compareceram ao ato. 

O Nova Luz prevê a utilização da concessão urbanística, instrumento que permite ao poder público transferir para empresas privadas o direito de desapropriar imóveis. O projeto prevê a demolição de 70% de uma área composta por 45 quarteirões. Moradores e comerciantes da região temem que o preço oferecido pelos concessionários da área seja insuficiente para que eles possam permanecer no local. Do carro de som, oradores acusaram o prefeito Gilberto Kassab (PSD) de usar o Nova Luz para beneficiar a especulação imobiliária e pagar dívidas de campanha. 

Durante a manifestação comerciantes baixaram as portas das lojas da região que concentra o comércio de eletroeletrônicos e é o segundo maior centro comercial da cidade. “Estamos muito preocupados. A prefeitura nunca veio aqui explicar nada sobre o que vai acontecer”, disse Edílson Hilário, dono de uma loja de produtos para telefonia e segurança e o primeiro a fechar as portas. 

Giannazi disse que a prefeitura não pode sobrepor os interesses de empreiteiras ao da população: “O prefeito Gilberto Kassab transformou a prefeitura de São Paulo em uma imobiliária e está loteando a cidade. Acho que ele pensa que é um corretor de imóveis”, discursou.

“Nós queremos que eles não derrubem nada. Queremos moradia e trabalho. Eu moro aqui, em uma ocupação, sou ambulante e dependo desse comércio para vender água, refrigerante. Se eles derrubarem onde é que eu vou trabalhar e morar?”, questionou Cristiane Emília. “Há 400 imóveis vazios no centro de São paulo e a prefeitura desrespeita os que estão ocupados”, reforçou Chalita. 

Os candidatos afirmaram que vão ouvir a população para criar um projeto adequado. “Vamos requalificar a região sem tirar os comerciantes daqui. São mais de 10 mil lojistas, alguns estão aqui há três gerações. Não vamos admitir que uma empresa que ganha uma licitação tenha o direito de expulsar os lojistas e os moradores”, afirmou o candidato petista, Fernando Haddad. 

Já Russomanno garantiu que caso seja eleito, “ninguém vai impor de cima para baixo” o projeto Nova Luz e que pretende considerar as propostas dos comerciantes para região. 

Todos enfatizaram que consideravam o termo de compromisso assinado como um documento válido, em referência a José Serra, que, ao disputar a prefeitura de São Paulo em 2004 assinou um um termo comprometendo-se a não deixar o posto para concorrer ao governo do estado em 2006. Mas descumpriu o acordo e foi eleito governador. Depois, em  março deste ano, justificou o rompimento do acordo dizendo que o termo assinado era apenas “um papelzinho”. Ao deixar a prefeitura, Serra deu lugar a seu a seu vice, Gilberto Kassab, que agora o apoia em sua tentativa de voltar ao cargo abandonado.