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Lupi pede demissão "condenado sem prova ou direito a defesa"; Dilma aceita

Secretário-executivo assumirá o cargo em caráter interino
por Redação da RBA publicado , última modificação 01/03/2012 00h00
Secretário-executivo assumirá o cargo em caráter interino

 

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão apresentado na noite deste domingo (4) pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. De acordo com informações da Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto, a partir desta segunda-feira (5), o secretário-executivo da pasta, Paulo Roberto dos Santos Pinto, assumirá o cargo em caráter interino.

Em nota, o Planalto informou que a presidenta Dilma "agradeceu a colaboração, o empenho e a dedicação do ministro Lupi ao longo de seu governo e tem certeza que ele continuará dando sua contribuição ao país". Dilma estava em viagem à Venezuela, onde participou da Cúpula dos Países Latino-Americanos e Caribe (Celac).

O pedido de demissão do ministro, em caráter irrevogável, foi divulgado no site do Ministério do Trabalho, no início da noite.

Lupi entregou sua carta de demissão à presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada. Ela havia informado que tomaria sua decisão a respeito da permanência do pedetista no cargo apenas nesta segunda-feira. Lupi perdeu o apoio do PDT e não esclareceu as denúncias de cobrança de propina em sua pasta à Comissão de Ética da Presidência da República na última quarta-feira.

"Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o trabalhismo não contagie outros setores do Governo. Decidi pedir demissão do cargo que ocupo em caráter irrevogável", disse em nota.

Lupi é o sexto ministro que deixa o governo Dilma sob acusação de corrupção. Até agora, apenas Nelson Jobim (Defesa) não integrou essa lista. Foi dispensado por ter dado declarações consideradas "inconvenientes" sobre o governo.

Segundo informações de O Estado de S.Paulo  Dilma não quer que o PDT indique um novo ministro agora, pois pretende fazer um rodízio na partilha dos cargos e tirar o Trabalho do controle pedetista, na reforma da equipe.

"Defendo que o PDT não tenha nenhum cargo no governo Dilma", afirmou neste domingo o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). "Nós vamos continuar no governo, mesmo não sendo nesse ministério", resumiu o deputado André Figueiredo (CE), presidente interino do PDT.

Leia a íntegra da nota oficial:                                                                                              

"Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa -- decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável. Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo. Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações.  Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence."
Carlos Lupi, ministro do Trabalho e Emprego 



 

 

Com informações de O Estado de S.Paulo e Agência Brasil