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Dilma acredita que mercado interno vai proteger Brasil de crise internacional

Presidenta reitera confiança nas soluções adotadas em 2008, critica falta de clareza nas medidas adotadas pelos Estados Unidos e volta a dizer que país está mais preparado para problemas
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 10/08/2011 23h17
Presidenta reitera confiança nas soluções adotadas em 2008, critica falta de clareza nas medidas adotadas pelos Estados Unidos e volta a dizer que país está mais preparado para problemas

São Paulo – A presidenta da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (10) que o mercado interno será o caminho para que o Brasil não sofra os efeitos da crise financeira internacional. Ela reiterou a leitura de que o país está bem preparado para enfrentar instabilidades e garantiu que a economia não entrará em recessão.

“Temos um pensamento. Vamos preservar nossas forças produtivas, nossos empregos e a renda de nossa população. Temos certeza que ao fazer isso vamos fazer o combate mais eficaz da crise”, defendeu Dilma durante a abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção, em São Paulo. Foi o ponto mais enfático do discurso da presidenta, em parte respondendo a preocupações manifestadas por empresários ao longo da cerimônia.

A presidenta deixou claro que tem mais convergências com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à economia do que desejariam alguns setores da sociedade e da imprensa. À época da crise anterior, em 2008, à frente da Casa Civil, Dilma foi uma das defensoras da linha econômica que via na força dos consumidores brasileiros a resposta a um cenário internacional afetado pela perda de poder de compra das nações mais ricas e pelo dólar desvalorizado. Políticas anticíclicas apresentadas na ocasião pelo Ministério da Fazenda foram reconhecidas mais tarde como o principal fator para que o país não sofresse tanto quanto o problema iniciado nos Estados Unidos. Nesta quarta, a presidenta lamentou que muitas nações tenham utilizado seus recursos para saldar a dívida de bancos em vez de favorecer a população, um ponto que também era enfatizado com frequência por Lula, em uma referência voltada especialmente à atuação da Casa Branca.

Nas últimas semanas, tem aumentado a apreensão de que os Estados Unidos mergulhem em nova recessão. O grande endividamento público e a incerteza sobre as medidas que serão acordadas entre republicanos e democratas têm se refletido no desempenho dos mercados financeiros, com oscilações que repetem os episódios de 2008. Enquanto isso, a Europa demonstra também estar mais enfraquecida, adotando cortes drásticos no orçamento, o que vem se refletindo em distúrbios sociais. 

Para a presidenta, a falta de comando político e de respostas claras por parte das nações do Norte faz com que a saída da crise seja mais longa que o imaginado – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima que a recessão possa durar até três anos. Por isso, embora os motivos de fundo sejam basicamente os mesmos, Dilma vê um panorama menos animador atualmente.

Por outro lado, a análise no Palácio do Planalto é de que a situação é mais cômoda agora por conta dos indicadores econômicos brasileiros, mais sólidos que há três anos. “Por que? Temos mais força porque demonstramos para nós mesmos quando fomos o primeiro país a sair da crise. O último a entrar e o primeiro a sair. Também porque hoje temos mais experiências e mais instrumentos.”

No discurso, Dilma pontuou várias vezes que o Brasil deve saber transformar o risco representado pela crise em uma oportunidade. Ela considera que é preciso avançar na proteção da indústria e garantir a continuidade dos programas sociais, agora sintetizados no programa Brasil sem Miséria. “Muitos olharam incrédulos para nós, mas esse país é integrado por brasileiros e brasileiras que sabem afirmar que quando queremos somos capazes de resistir e enfrentar as maiores dificuldades.”