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Às TVs Dilma admite que chorou diversas vezes após confirmação da vitória

Em suas primeiras entrevistas, a presidente eleita diz que promete priorizar saúde e segurança pública; nomes de ministros, que sairão em blocos, serão escolhidos por critério técnicos e políticos
por Anselmo Massad e Suzana Vier, Rede Brasil Atual publicado , última modificação 01/11/2010 20h20
Em suas primeiras entrevistas, a presidente eleita diz que promete priorizar saúde e segurança pública; nomes de ministros, que sairão em blocos, serão escolhidos por critério técnicos e políticos

Dilma deu entrevistas à Record e à Globo (Foto: Reprodução)

São Paulo – A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), concedeu as primeiras entrevistas após a eleição de domingo (31) na noite desta segunda-feira (1º). Diferentemente do que fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, Dilma concedeu sua primeira entrevista à TV Record. Ela falou a Ana Paula Padrão e a Adriana Araújo, jornalistas da emissora. Um pouco depois, a petista participou do Jornal Nacional, ao vivo, na TV Globo, e revelou que chorou por diversas vezes após ter confirmada a sua eleição. Band, SBT e Rede TV também devem exibir questionamentos exclusivos à presidente eleita.

À Record, Dilma afirmou que terá educação, saúde e segurança pública como prioridades de seu governo. Ela começou respondendo que havia dormido bem, mas com sono leve, ainda emocionada pelo resultado da disputa eleitoral. Ela relembrou a emoção que sentiu ao discursar, quando mencionou o presidente Lula, seu principal apoiador. Recordou ainda outro trecho do pronunciamento após anúncio do resultado, quando disse que "sim, mulher pode (ser presidente da República)".

"Temos um avanço a conquistar na saúde e na área da segurança pública", resumiu. Ela promete convocar governadores para auxiliar a formatação dessas ações. Dilma ainda defendeu prioridade à educação para garantir o desenvolvimento do país.

Ela evitou dar espaço a especulações sobre a composição de seu governo e a respeito de medidas tomadas em relação à economia. A primeira mulher presidente afirmou que pretende manter os princípios de controle de inflação praticados durante os últimos anos.

Economia

"Não brincaremos com a inflação", prometeu. "Vivemos um momento muito delicado (...), uma conjuntura de crise nos países desenvolvidos. É prudente manter as metas de inflação nos padrões vigentes", reiterou. Ela prometeu implantar um padrão de controle de gastos públicos, com o objetivo de manter uma "política criteriosa" relacionada à dívida pública e à taxa básica de juros (Selic).

A presidente eleita acredita que merece atenção a questão cambial. "Vamos acompnhar com rigor o processo de guerra cambial e a política de desvalorização em prática no mundo", avaliou. A reunião do G-20 (grupo dos 20 países mais industrializados do mundo, inclusive emergentes) na próxima semana será uma oportunidade para discutir a questão. Dilma deve acompanhar Lula a Seul, capital da Coreia do Sul.

"Um dos fatores que soluciona isso (políticas cambiais de desvalorização) é a relação multilateral e instituições fortes para proibir e forçar certos países a manter suas moedas abaixo da realidade", disse. O desafio é impedir que alguns países empreguem medidas pragmáticas, favoráveis apenas a suas próprias economias.

Imprensa

Dilma voltou a ser questionada sobre suas relações com a imprensa. Ela voltou a dizer preferir "as vozes críticas ao silêncio da ditadura". "Eu me entristeci em alguns momentos com a imprensa, mas acho que não cabe, da parte de quem quer que seja, principalmente de uma pessoa pública, qualquer tipo de crítica tentando coibir o que é dito", esquivou-se.

"(Isso) não impede que eu me sinta prejudicada em alguns momentos e proteste", esclareceu. Para ela, embora tenha se dado o direito de se defender quando atingida, ela sustentou não ter complacência com restrições à mídia. "Costumo dizer que o controle remoto é o melhor controle que pode ter, por parte da população, em relação à mídia", declarou.

Jornal Nacional

Em participação ao vivo no Jornal Nacional, da TV Globo, a presidente eleita assistiu a reportagens sobre a vida de sua família na Bulgária, a ajuda ao  irmão que viveu naquele país -  falecido em 2007 -,  a vida da família no Brasil, sua infância, a tortura durante a ditadura, a carreira em cargos públicos e a campanha eleitoral. 

Ao lado de Bonner na bancada, em Brasília, Dilma falou sobre os momentos que passou na prisão e da superação da ditadura no Brasil pela democracia. Agradeceu a oportunidade de trabalhar com o presidente Lula e realizar o sonho de sua geração de ver o Brasil crescendo.  

Indagada por Fátima Bernardes sobre a aceitação inicial de sua indicação para concorrer à Presidência, Dilma afirmou que nunca imaginou ser presidente da República, mas que como cada brasileiro, deseja "dar sua contribuição aos milhões de brasileiros e brasileiras". "Sendo muito honesta, nunca imaginei ser presidente, sempre fui uma servidora da República", afirmou.

Sobre a emoção da notícia de sua vitória, Dilma se disse inicialmente anestesiada e admitiu que chorou diversas vezes. 

“Eu chorei depois, eu fui chorando aos poucos. Não chorei assim, de uma vez só. Eu chorei lá, quando eu falei (no pronunciamento da vitória), eu chorei um pouco. Eu chorei chegando em casa, bastante.” A petista também chorou quando se referiu a Lula, no domingo à noite.  “Ali eu chorei. O pessoal disse que eu me contive; não, eu chorei por dentro e por fora um pouco.”

Como na entrevista à TV Record, a presidente eleita evitou citar nomes para o novo governo, entretanto descreveu que fará uma transição técnica e outra política, com todo empenho para fazer o melhor que puder.

Dilma prometeu reunir-se nos primeiros dias de governo com os governadores para discutir saúde e segurança; também garantiu a manutenção do câmbio flutuante. Mas se mostrou preocupada com a guerra fiscal entre países. 

Ao final, a presidente eleita reafirmou o compromisso de lutar pela liberdade de imprensa e manter boas relações com a imprensa. 

 

Assista à entrevista concedida à Record