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Serra não teve mérito por levar disputa ao 2º turno, diz analista

Para professor da UnB, tucano foi ao segundo turno mais por erros do adversário e bombardeio contra Dilma; diretor do Diap diz que petista será eleita com certa folga
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado , última modificação 03/10/2010 23h46
Para professor da UnB, tucano foi ao segundo turno mais por erros do adversário e bombardeio contra Dilma; diretor do Diap diz que petista será eleita com certa folga

São Paulo – Na visão do cientista político Leonardo Barreto, professor da Universidade de Brasília (UnB), o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, foi ao segundo turno por erros e problemas dos adversários e não por méritos próprios. Apesar de a disputa não ter sido definida neste domingo (3), a candidata é favorita, segundo Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

"A campanha dele (Serra) foi ruim, nos debates ele não se destacou. No último debate, parecia que ele já tinha assumido a condição de derrotado", comenta Barreto. Para ele, Serra precisaria mudar a estratégia drasticamente para cogitar uma virada. Ele também se mostrou surpreso com a reação de Marina Silva (PV), principalmente pela velocidade de crescimento. "Se houvesse uma semana ou dez dias a mais de campanha, talvez tivesse superado Serra", afirmou.

"Basta que um terço (do eleitorado de Marina) migre para que Dilma se eleja" –  Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap)

O analista acrescenta que Marina foi a grande beneficiada com a queda de Dilma Rousseff (PT) nas últimas semanas. "A Dilma enfrentou um final de primeiro turno muito pesado. Ela sofreu um bombardeio de três semanas, o que a levou a uma estratégia mais defensiva", avalia.

Como os votos foram perdidos para Marina, Barreto acredita que, em tese, a maior probabilidade é de que esses votos retornem para Dilma no segundo turno. Quanto ao candidato do PSDB, terá de buscar outro perfil de eleitor. "O eleitor de Serra não é tanto dele, tem conservadores, antipetistas... Ele tem de escapar desse patamar conservador", projeta.

Já o diretor do Diap vaticina que a candidata do PT ganhará com certa margem o segundo turno. "Sinceramente, acho que ele (Serra) não tem chance", afirma Queiroz. "Marina vai ter de declarar apoio a Dilma ou neutralidade", prevê, sem apostar na proposta de plenária apresentada neste domingo (3) pela candidata do PV.

"Essa vitória é dela, não é do PV. Basta que um terço (do eleitorado de Marina) migre para que Dilma se eleja." Para o diretor do Diap, a petista perdeu a chance de ganhar no primeiro turno basicamente por perder votos no eleitorado feminino.