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Para PT, apreensão de panfletos anti-Dilma mostra 'submundo' da campanha

Encomenda de panfletos contra candidata petista era de 20 milhões. PT pede apuração de campanha de telemarketing, DVDs e impressões difamatórios
por Suzana Vier e Virgínia Toledo, Rede Brasil Atual publicado , última modificação 18/10/2010 19h21
Encomenda de panfletos contra candidata petista era de 20 milhões. PT pede apuração de campanha de telemarketing, DVDs e impressões difamatórios

São Paulo - Os panfletos com conteúdo difamatório à candidata do PT, Dilma Rousseff, apreendidos em São Paulo, no sábado (16), confirmam, na visão de José Eduardo Cardozo, secretário-geral da legenda, que uma central de boatos operaria no submundo da campanha eleitoral. A avaliação do deputado federal foi apresentada a jornalistas em uma entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (18). O PT afirma que, embora 1 milhão de folhetos tenham sido apreendidos, a encomenda original era de 20 milhões de exemplares, mas a quantidade não poderia ser produzida pela empresa.

No domingo, (17), a Polícia Federal apreendeu, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exemplares de um panfleto com título "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", assinado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A gráfica Pana, localizada no bairro do Cambuci, em São Paulo, foi a contratada para rodar o material. A CNBB negou, nesta segunda-feira à Agência Estado, que tivesse demandado uma reimpressão.

 Para Cardozo, que também coordena a campanha da presidenciável, a apreensão de um milhão de panfletos na capital paulista, assinados por bispos da Regional Sul 1 da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), são propaganda ilícita. O material apreendido na gráfica Pana incita o voto contra Dilma e contra o PT entre a comunidade católica.

O petista vê "indícios veementes" de que teriam sido foram produzidos pela campanha adversária de Dilma no segundo turno. "Há indiscutivelmente uma relação próxima da dona da gráfica com o candidato José Serra (PSDB)", afirmou Cardozo. Por isso, o PT protocolou no TSE material que comprova, na visão da legenda, a ligação do PSDB com a empresa. Os documentos somam-se ao pedido de abertura de inquérito entregue no fim de semana à Justiça.

Segundo informações de Cardozo, Arlety Satiko Kobayashi, uma das sócias da gráfica no bairro do Cambuci, é filiada ao PSDB e irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha de Serra. Arlete seria ainda funcionária da Assembleia Legislativa de São Paulo. Cardozo considerou no mínimo estranha a proximidade entre a atuação de Kobayashi na campanha de Serra e o tipo de trabalho realizado pela irmã na gráfica.

Na metade da entrevista, o deputado estadual reeleito, Antonio Mentor, líder do PT na Assembleia Legislativa paulista, juntou-se ao grupo e acrescentou que novas informações indicam que outro sócio da empresa, Alexandre Ogawa, é filho de um funcionário do Ministério da Saúde, nomeado pelo candidato José Serra, então chefe da pasta.

Ao lado do deputado estadual eleito, Edinho Silva, presidente do PT-SP, Cardozo repetiu diversas vezes que a campanha eleitoral atingiu o extremo da falta de ética, em que ações são realizadas no submundo e às escuras. "Eleição é aguerrida, mas há regras. Críticas e acusações devem ser feitas à luz do dia, com a ética necessária", defendeu Cardozo.

O dirigente petista elencou outras ações difamatórias contra a candidata governista. "Estão distribuindo CDs e DVDs na porta de igrejas (contra Dilma), além de panfletos e e-mails", indignou-se Cardozo.

Silva suscitou que é preciso montar uma grande infraestrutura para distribuir cerca de 20 milhões de folhetos, como informou o pai do dono da gráfica onde os panfletos foram apreendidos. "Amadores ou fiéis não têm estrutura para distribuir milhões de panfletos. Queremos chegar aos mentores", denunciou o dirigente do PT paulista.

O PT pediu abertura de inquérito para investigar os autores do panfleto e esta semana também pede apuração de ações de telemarketing, divulgadas pelos jornais Correio Braziliense e Jornal de Minas, que instigam o voto anti-Dilma.

CNBB

Silva afirmou que no próprio sábado, entrou em contato com D. Pedro Luiz Stringuini, da dioscese de Franca, que negou qualquer relação da CNBB com os panfletos. O bispo teria sugerido inclusive que o PT chamasse a polícia para dar conta do caso. O PSDB também já respondeu que não tem relação com os panfletos, lembrou Silva.