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Justiça da Suíça bloqueia contas de executivo da Alstom

Medida foi adotada em processo que investiga supostas irregularidades em contratos da multinacional com empresas ligadas ao governo de São Paulo
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado , última modificação 06/07/2009 10h54
Medida foi adotada em processo que investiga supostas irregularidades em contratos da multinacional com empresas ligadas ao governo de São Paulo

Alstom Metropolis, o trem da Linha 5-Lilás, do Metrô de São Paulo (Foto: Andsystem/Wikipedia)

Autoridades da Suíça decidiram bloquear nas duas últimas semanas pelo menos duas contas bancárias de pessoas supostamente ligadas a irregularidades contratuais que envolveram o governo paulista. Um dos casos é o do banqueiro aposentado Jean Marie Lannelongue, que vive no Brasil. Ele teria recebido comissões ilegais da multinacional francesa Alstom.

Outro investigado é o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo Robson Marinho que é acusado de ter recebido propina na mesma empresa. A multinacional francesa Alstom é alvo de investigação por pagamento de valores em troca de contratos com empresas paulistas, no período de 1993 a 2003.

As primeiras informações sobre o escândalo foram divulgadas no jornal norte-americano Wall Street Journal em maio do ano passado. Frente à gravidade da denúncia, a bancada do PT na Assembléia paulista, levantou dados sobre os contratos da empresa e constatou-se que a empresa assinou 139 contratos com o governo tucano, no período de 1989 a 2007, num total de cerca de sete bilhões e meio de reais.

Na ocasião, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, o deputado Roberto Felício, líder da bancada do PT na Assembléia, destacava: os contratos envolviam várias empresas. "Fomos para a investigação e verificamos que, além dessas duas, Metrô e CPTM, tem Cesp, tem Cetep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), tem Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo), e constatamos que só no caso do Metrô, são vários contratos que equivalem R$ 4,48 bilhões", afirma.

Apesar das evidências, a base governista enfrentou dificuldades na tentativa de esclarecer as irregularidades envolvendo a Alstom, conforme explicou o deputado Antonio Mentor, na ocasião, presidente da CPI da Eletropaulo.

"Não conseguimos mais do que 28 assinaturas quando precisamos de 32. Apesar do esforço que a oposição tem feito, dialogando com vários deputados, infelizmente não temos tido sucesso", lamenta Antonio Mentor.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Robson Marinho, que ocupou o segundo cargo mais importante no governo Mário Covas, negou ter conta na Suíça ou em outro país qualquer. O advogado do banqueiro Jean Marie Lannelongue não quis se pronunciar sobre a decisão das autoridades suíças.

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