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Encontro com Lula não resolve impasse no PT sobre Sarney

Mesmo preocupados com a governabilidade no Senado, petistas mantêm pedido de afastamento, mas adiam decisão para próxima semana. Mercadante pede gestão mais aberta da Casa, com ação de líderes dos partidos
por anselmomassad publicado , última modificação 03/07/2009 11h10
Mesmo preocupados com a governabilidade no Senado, petistas mantêm pedido de afastamento, mas adiam decisão para próxima semana. Mercadante pede gestão mais aberta da Casa, com ação de líderes dos partidos

PT não quer que responsabilidade pela crise fique apenas com Sarney (Foto: Jamil Bittar/Reuters, todos os direitos reservados)

Foram quatro horas de reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a bancada do PT no Senado. Apesar de ter manifestado, no plenário do Senado, a preferência por uma licença de José Sarney da presidência da Casa, o conjunto de 12 parlamentares não alcançou uma posição uniforme.

A preocupação dos petistas é com a garantia de governabilidade no Senado, caso Sarney saia e o cargo seja ocupado por Marconi Perilo (PSDB-GO), primeiro-vice-presidente. Uma reunião entre Sarney e Lula deve ocorrer nesta sexta-feira (3), às 12h. A decisão definitiva do PT foi adiada para a próxima semana.

O senador Eduardo Suplicy (SP) foi o único a falar após o encontro com Lula, que terminou por volta das 1h30 desta sexta. Segundo o parlamentar, durante a reunião todos senadores da bancada, exceto Flávio Arns (PR), que não estava presente, expuseram a opinião sobre o assunto ao presidente. A maioria, relatou, foi a favor do licenciamento de Sarney.

O líder do partido, Aloísio Mercadante, defendeu no plenário na quinta-feira que Sarney não pode ser responsabilizado isoladamente pela crise, e tentou envolver o Democratas. "O DEM não pode desembarcar agora, romper com o presidente Sarney. Até porque como tem ocupado a 1ª Secretaria nos últimos anos, sua responsabilidade administrativa tem sido decisiva", afirmou.

Mercadante procurou também ressalvar que não é intenção do PT depor a atual Mesa Diretora, embora ache melhor que a reforma administrativa seja discutida em uma comissão especial. O caminho seria elaborar um projeto de lei de responsabilidade fiscal e administrativa para o Senado com metas de redução de despesas e aumento da eficiência.

Entre as saídas para o corte de despesas, o parlamentar voltou a mencionar a diminuição gradual de servidores; a transformação do serviço médico do Senado em um pronto-socorro; e a extinção do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), órgão de treinamento, e do Interlegis, órgão de integração com as assembléias legislativas estaduais e as câmaras de vereadores.

Para o senador Tião Viana (PT-AC), que disputou com Sarney o cargo de presidente nas eleições para a mesa Diretora, em fevereiro, o líder "traduziu o sentimento da bancada", ao não responsabilizar Sarney ou qualquer outro parlamentar individualmente por uma crise que é estrutural. "O governo luta pela governabilidade e nós somos responsáveis por ela juntamente com o PMDB", ressaltou.

A bancada petista mudou de posição por três vezes durante os últimos três dias. Inicialmente, sugeriu a Sarney o afastamento temporário, para depois recuar – sob pressão do Planalto. Depois, voltou a defender a licença, embora recuse que toda a responsabilidade pela crise seja atribuída ao pemedebista.

PSDB, DEM e PDT se mantém favoráveis à licença de Sarney. O P-SOL protocolou na Mesa Diretora da Casa uma representação contra o senador que pode resultar na abertura de processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar.

 

Crise mais longa

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) considera que a permanência de Sarney no cargo resultará no prolongamento da crise, além de enfraquecer o pemedebista. Ele admitiu, no entanto, que não acredita na possibilidade de Sarney renunciar ao cargo.
Para Virgílio, o responsável pela implementação das mudanças no Senado teria de "estar bem distante pessoalmente, afetivamente e politicamente das pessoas que infelicitaram" a Casa. Isso excluiria as possibilidades de o atual presidente realizar a tarefa.

Heráclito Fortes (DEM-PI), ainda no plenário, rechaçou a acusação de responsabilidade de seu partido pela crise, e defendeu que os partidos devem "dividir um pouco dessa responsabilidade". "Temos que ter consciência de que somos todos culpados, e temos que encontrar uma solução para a Casa", afirmou.

 

Depoimento

Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado e pivô dos chamados atos secretos, prestou depoimento à Polícia Legislativa do Senado na noite de quinta. Ele prestou informações sobre denúncia de Demóstenes Torres (DEM-GO), que o acusa de nomear uma funcionária em seu gabinete sem sua autorização, realizada sem publicação no Diário Oficial. Segundo o diretor do órgão, Pedro Araújo, o depoimento de Agaciel Maia foi longo por causa dos detalhes apresentados pelo ex-diretor dos procedimentos adotados para a nomeação e a movimentação de um funcionário pelo Senado.

Com informações da Agência Brasil e Agência Senado

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