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60 mortos

Ataque de Israel a palestinos em Gaza viola lei internacional, diz ONU

“Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”
por Redação publicado 15/05/2018 17h29
“Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”
Via Twitter
gaza

Desde 30 de março forças de Israel já mataram ao menos 14 crianças e adolescentes

Opera Mundi – O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou nesta terça-feira (15) que Israel ignorou a lei internacional sobre o uso da força ao atacar palestinos que protestavam na cerca com Gaza. O número de mortos nos protestos desta segunda chegou a 60.

“As regras para uso da força sob a lei internacional foram repetidas muitas vezes, mas parecem ser ignoradas repetidamente. Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”, afirmou o órgão, pelo Twitter, se referindo a Israel.

Em entrevista a repórteres em Genebra, o porta-voz do Escritório, Rupert Colville, explicou, segundo o Guardian, que as leis internacionais deixam claro que “força letal só pode ser usado como último, não como primeiro recurso”.

“O simples fato de se aproximar de uma cerca não é um ato letal ou que coloca risco de vida, de modo que isso não dá autorização para alguém ser baleado”, afirmou. “Não é aceitável dizer que ‘é o Hamas e, por isso, está tudo bem’.” Israel e Estados Unidos dizem que a violência na cerca é causada pelo grupo, a quem consideram ser uma organização terrorista.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, o total de mortos chegou a 60, após um adolescente de 16 anos ter sido ferido por soldados israelenses. Só nesta segunda, sete menores foram mortos, incluindo uma criança de 8 meses. Desde o início da Grande Marcha do Retorno, em 30 de março, forças de Israel já mataram ao menos 14 crianças e adolescentes.

Deficientes físicos também estão entre os mortos. “Quão ameaçador pode um duplo amputado estar fazendo do outro lado de uma cerca fortificada?”, questionou Colville.

Nesta segunda (14/05), os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém, o que intensificou os protestos de palestinos.

Condenação internacional

A reação violenta do governo israelense foi condenada por diversos países e órgãos ao redor do mundo. A África do Sul, por exemplo, retirou seu embaixador de Tel Aviv, uma ação de alta voltagem diplomática que expressa forte descontentamento com os atos de Israel. A Irlanda chamou o embaixador israelense em Dublin para dar explicações.

O presidente francês, Emmanuel Macron, ligou para o rei da Jordânia, Abdullah II, e condenou “a violência das Forças Armadas de Israel contra os manifestantes”.

A Turquia, por sua vez, também convocou seu representante diplomático em Israel e Estados Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, manifestantes pró-Palestina foram às ruas de Istambul protestar contra a violência Israelense.

O governo da China também expressou preocupação. “Pedimos a Israel e Palestina – especialmente Israel – para evitar uma escalada das tensões”, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do país, Lu Kang.

Limpeza étnica segue após 70 anos

A jornalista palestina-brasileira Soraya Misleh, afirma que os assassinatos desta segunda-feira (15) evidenciam que a limpeza étnica persiste sem cessar há sete décadas. O pai de Soraya é um dos 800 mil palestinos expulsos durante a Nakba. Leia entrevista de Soraya a Rute Pina, do Brasil de Fato.