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Bignone

Morre o último presidente da ditadura militar argentina

Ele cumpria prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Tinha 90 anos
por Redação RBA publicado 07/03/2018 17h45
Ele cumpria prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Tinha 90 anos
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Bignone passa o poder a Alfonsín, em 1983: a Argentina encerra um de seus capítulos mais sombrios

São Paulo – Morreu nesta quarta-feira (7), aos 90 anos, o general Reynaldo Benito Bignone, último presidente da ditadura militar argentina (1976-1983), antes da passagem de poder para Raúl Alfonsín, em 10 de dezembro de 1983. Na véspera, ele havia sido internado no Hospital Militar Central, em Buenos Aires. Cumpria pena de prisão perpétua por crimes contra a humanidade. 

"Bignone foi o quarto e último na zaga sinistra de presidentes-ditadores iniciada por Jorge Rafael Videla em 1976", escreveu o jornal Página 12. O periódico lembra que, antes de passar o cargo a Alfonsín, tentou garantir impunidade para os responsáveis pelo regime ao aprovar decretos sobre destruição de arquivos e pela anistia, chamada de "pacificação nacional" (a Lei 22.924, de "autoanistia"). Comandou centros clandestinos de tortura e mortes, como o chamado Campo de Mayo.

Foi a partir do governo Néstor Kirchner, que assumiu a presidência argentina em 2003, que Bignone foi processado e julgado, a exemplo de outros representantes do regime. Acabou condenado por sequestro de bebês e por desaparições forçadas. Também foi um ativo participante da Operação Condor, de colaboração entre ditaduras sul-americanas.

"Nunca se arrependeu dos crimes que mandou executar e nem dos que foi cúmplice", diz o jornal. "Pelo contrário, se defendeu de todas as acusações e justificou as matanças sempre que pôde." A alegação era de "luta contra o terrorismo", contra os "subversivos". Entidades de direitos humanos estimam em 30 mil o número de mortos pela repressão argentina. Bignone contestou esse número em entrevista, ainda de acordo com o Página 12: "Sólo fueron 8 mil". 

Em 24 de março de 2004, quando se completavam 28 anos de golpe, Kirchner foi pessoalmente ao Colégio Militar, onde ordenou que se retirassem da galeria os quadros de Videla e Bignone, diretores daquela instituição. "Proceda", afirmou, pedindo às Forças Armadas que nunca mais usassem o terrorismo de Estado e a violência contra a população. Assista: