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Única colônia da África tenta se levantar contra forças de ocupação

"Novo movimento, com jovens no epicentro, está se levantando para desafiar os abusos contra os direitos humanos", conta cineasta que filmou documentário sobre o Saara Ocidental
por Redação RBA publicado 22/02/2018 19h23
"Novo movimento, com jovens no epicentro, está se levantando para desafiar os abusos contra os direitos humanos", conta cineasta que filmou documentário sobre o Saara Ocidental
divulgação

A população local aguarda um referendo para conseguir sua completa autonomia

São Paulo – A cineasta ativista Iara Lee promove amanhã (23) a exibição de seu mais novo documentário “A Vida Está Esperando”. O longa traz à tona uma crise humanitária pouco conhecida dos brasileiros: o conflito do Saara Ocidental. O país persiste como a única colônia da África. Após anos de colonização de exploração espanhola, no presente, o país sofre com uma ocupação marroquina.

As hostilidades armadas no país foram parcialmente suspensas em 1991, quando a ONU articulou um cessar fogo entre as forças do Marrocos e a resistência do povo saharawi. Enquanto a população local aguarda um referendo para decidir sobre sua completa autonomia, as pessoas vivem cercadas no território do país por um muro conhecido como Muro da Vergonha. A construção rudimentar tem metade do tamanho da Grande Muralha da China e é considerada o local com mais minas terrestres ativas do mundo.

O filme de Iara foi lançado em 2015 e será exibido no Cine Acervo África, sediado em Perdizes, zona oeste de São Paulo. A ideia da produção é de examinar as tensões no presente e mostrar a violência cotidiana a qual essas pessoas são submetidas, “dando voz às aspirações de um povo do deserto para quem o colonialismo nunca terminou”, afirma a produtora Culture of Resistence Films, fundada pela própria Iara.

“Dezenas de milhares de saharawi fugiram em exílio para a vizinha Argélia, onde mais de 125 mil refugiados seguem vivendo em acampamentos que deveriam ser temporários. Apesar de tais dificuldades, um novo movimento, com jovens no epicentro, está se levantando para desafiar os abusos contra os direitos humanos e para exigir o outrora prometido referendo sobre a liberdade”, continua a produtora.

De acordo com o relato de Iara, que fez um extenso trabalho de campo, além de uma precisa documentação de todo o histórico da região, jovens ativistas tentam se levantar de forma diferente em relação aos conflitos militares passados. “A atual geração de jovens ativistas está desenvolvendo uma resistência criativa e pacífica em favor da causa da autodeterminação. Mediante esta iniciativa, estão preservando a paz contra uma torrente de forças em conflito.”

A nova resistência pretende institucionalizar a independência. No passado recente, após anos de negociações sem resultado, o povo se levantou contra a ocupação marroquina. Em 1999, o regime invasor matou o rei Hassan II, e usou de forte violência para acabar com o levante, que protestava contra o empobrecimento do local, além da questão da autodeterminação. “Chamam localmente o evento de primeira intifada saharawi, o termo árabe para ‘levante popular’”, algo como já acontecera com a população palestina contra as forças repressoras colonizadoras israelenses.

Outro levante foi registrado em 2009. “Esses protestos se transformaram em um conflito brutal com as forças de segurança marroquinas. Antes de Rabat ordenar o fim das manifestações, os saharawi diziam ser o maior movimento pacífico de resistência desde que o Marrocos ocupou o território, após o antigo colonizador, Espanha, deixar o local em 1975”. Desde então, protestos são registrados continuamente e, frequentemente, coibidos com violência.