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França elege Emmanuel Macron presidente

Rosto novo na cena política do país, Macron cresceu com base no desgaste das agremiações tradicionais e se torna o mais jovem presidente da história da França desde Luis Napoleão Bonaparte
por Redação RBA publicado 07/05/2017 16h08, última modificação 07/05/2017 21h40
Rosto novo na cena política do país, Macron cresceu com base no desgaste das agremiações tradicionais e se torna o mais jovem presidente da história da França desde Luis Napoleão Bonaparte
Michele Limina/ World Economic Forum
Emmanuel Macron França

Macron bateu Marine Le Pen com larga margem no segundo turno

São Paulo – Neste domingo (7), o candidato do En Marche! (Em Marcha), Emmanuel Macron, derrotou sua adversária Marine Le Pen, da Frente Nacional, e, aos 39 anos, se tornou o mais jovem presidente da história da França desde Luis Napoleão Bonaparte (1848-1852), sobrinho de Napoleão. As urnas foram fechadas às 20h, 15h de Brasília, e as projeções mostravam um placar de 65% a 35% a favor de Macron.

O presidente eleito foi ministro da Economia na gestão de Manuel Valls, em 2014, após ter sido secretário-geral adjunto da presidência de François Hollande, tendo ajudado a elaborar seu programa de governo. Saiu do cargo em 2016, meses após ter fundado seu partido, definido de forma geral como "nem de direita nem de esquerda".

Rosto novo e até a campanha pouco conhecido pela população, Macron cresceu na corrida presidencial com base no desgaste das agremiações tradicionais da cena política francesa. "Macron teve a intuição, precisamente porque estava fora da vida política tradicional, de que os partidos de governo criaram as suas próprias fraquezas, perderam atratividade e estavam [...] desgastados, cansados e envelhecidos", disse François Hollande, avaliando a candidatura o novo presidente.

Em seu discurso de vitória, Macron clamou pela união dos franceses. "Esta noite quero saudar a minha adversária. Sei porque alguns escolheram votar nela, pela raiva, angústia. É a minha responsabilidade trazê-los de volta, protegê-los melhor, garantir a segurança do país. Há caras, mulheres, filhos, famílias cujas vidas estão em causa. É por isso que estou falando para todos", disse. "Uma nova página começou hoje. Quero que seja de confiança, de esperança. Temos que modernizar a nossa vida política, revitalizar a vida política. É a primeira missão, respeitando todos. Trabalhar nas escolas, que é onde tudo começa."

Mesmo com a derrota, Le Pen alcançou a maior votação da Frente Nacional em sua história, com 35% dos votos projetados. Pouco mais de dez minutos após o encerramento da eleição, ela fez um pronunciamento público agradecendo a sua militância e dizendo ter telefonado para Macron, parabenizando-o pela vitória.

"Os franceses escolheram-nos para sermos a primeira oposição ao novo presidente. Os partidos elegeram Macron. No primeiro turno houve uma enorme decomposição do sistema, com uma recomposição feita entre os patriotas e aqueles a favor da globalização. Quero trazer todos juntos, os que querem defender a segurança, o modelo social de França", disse Le Pen.

Por volta de 15 veículos de comunicação, entre eles profissionais do Buzzfeed, Sky News britânica e a italiana RAI, foram barrados do evento da Frente Nacional no qual a candidata Le Pen e seus partidários acompanham a apuração. A justificativa oficial foi de que não havia espaço no local para todos os jornalistas, mas periódicos franceses como o Le Monde, L'Humanite e Liberation boicotaram o encontro após o episódio.

Na França, o presidente tem mandato de cinco anos, é o chefe das Forças Armadas e comanda a política externa. É também o responsável pela escolha do primeiro-ministro e tem o poder de dissolver a Assembleia Nacional, vetar leis e convocar referendos. A expectativa a partir de agora volta-se para as eleições legislativas que acontecem daqui a duas semanas, que vão determinar as margens que Macron terá para governar o país.