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neoliberalismo na argentina

Trabalhadores tomam as ruas de Buenos Aires contra reforma de Macri

A base do partido do presidente aproveitou forte aparato militar por conta de reunião da OMC para tentar emplacar reforma na Previdência. Tumultos dentro e fora do Congresso adiaram votação
por Redação RBA publicado 14/12/2017 18h57, última modificação 14/12/2017 20h03
A base do partido do presidente aproveitou forte aparato militar por conta de reunião da OMC para tentar emplacar reforma na Previdência. Tumultos dentro e fora do Congresso adiaram votação
Julieta Sou/Coletivo Passarinho
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Além da manifestação de hoje, centrais convocaram trabalhadores para uma greve geral amanhã

São Paulo – Trabalhadores argentinos estão mobilizados contra reforma na Previdência proposta pelo governo neoliberal de Maurício Macri. Hoje (14), milhares tomaram as ruas da capital, Buenos Aires, contra a proposta que revê o cálculo da aposentadoria, o que pode prejudicar 17 milhões de cidadãos argentinos. De acordo com a nova medida, para exemplificar, o próximo reajuste nos vencimentos, programado para março, cai de 12% para 5,7%.

A base do governo havia manobrado para acelerar a votação, que deveria ter sido realizada hoje. Entretanto, a sessão foi suspensa após episódios de violência na capital. Vários manifestantes ficaram feridos, incluindo dois parlamentares da oposição. Mais de mil membros das forças armadas reprimiram o ato que acontecia desde as 9h na Avenida de Mayo, na região central de Buenos Aires. Dentro do Congresso, empurra-empurra e clima de tensão adiaram a votação para a semana que vem.

A mudança consiste em levar em conta no cálculo um índice de inflação e não a base de arrecadação tributária e a média de aumentos salariais no país, como é feito hoje. A oposição classifica a investida como “um roubo aos aposentados”. O deputado federal e um dos líderes do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), Nicolás del Caño, acusa o governo de esconder a intenção da reforma durante sua campanha eleitoral.

“Temos que expressar a indignação nas ruas e, por isso, sustentamos que é necessário que as articulações sindicais que se opõem a esta lei convoquem uma greve e uma marcha massiva ao Congresso”, completou del Caño.

De fato, as duas grandes centrais sindicais argentinas, a Central Autônoma dos Trabalhadores (CTA) e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), convocaram para amanhã uma greve geral de 24 horas contra a medida de Macri. “Vamos estar juntos nas ruas para parar a reforma, para dizer a este governo que está provocando fome e roubando os cidadãos que os trabalhadores e as trabalhadoras não vão ficar de braços cruzados e não permitirão que este roubo saia impune”, disse o secretário-geral da CTA, Hugo Yasky.

Julieta Sou/Coletivo Passarinho policia bsa.jpg
Militares em ação no centro de Buenos Aires

Repressão

Desde as primeiras horas da tarde de hoje, um forte aparato policial foi montado na capital portenha. A proposta já está parcialmente autorizada pelo Senado. De acordo com informações do coletivo Passarinho, de brasileiros em Buenos Aires, “não se viam tantos policiais nas ruas desde a crise de 2001”.

Os opositores acusam Macri de usar a reunião da Organização Mundial do Comércio, que acontece em Buenos Aires, como cortina de fumaça para passar o projeto e reforçar o aparato policial contra manifestantes. “Sob justificativa de garantir a segurança dos executivos e autoridades de Estado, se construiu um verdadeiro estado de exceção na capital. Representantes de organizações e movimentos sociais que viriam para a conferência foram impedidos de entrar no país.” De fato, mesmo alguns jornalistas opositores foram impedidos de ingressar no país por Macri.

“Em um jogo de mestre, o governo aproveitou o efetivo militar já em posição de combate para outro propósito. Cambiemos (partido de Macri) acelerou a tramitação da reforma previdenciária e tributária (…). O arsenal de exceção nem teve que se mover muito, já que o Congresso fica a três quilômetros da região da reunião da OMC”, completa o coletivo.

Com informações da Telesur, do PTS, da CTA e do Coletivo Passarinho