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Palácio do Eliseu

Eleições na França: Emmanuel Macron e Marine Le Pen vão ao segundo turno

Conservador François Fillon e socialista Benoît Hamon, os grandes derrotados da disputa, anunciaram imediatamente que votarão em Macron para evitar o triunfo da extrema-direita
por Opera Mundi publicado 24/04/2017 08h55
Conservador François Fillon e socialista Benoît Hamon, os grandes derrotados da disputa, anunciaram imediatamente que votarão em Macron para evitar o triunfo da extrema-direita
Macron/Le Pen/Facebook
Macron x Le pen

Emmanuel Macron, do En Marche, e Marine Le Pen, da Frente Nacional, disputarão 2º turno no dia 7 de maio

Opera Mundi – Com concepções de França e Europa radicalmente opostas, o social liberal Emmanuel Macron e a ultradireitista Marine Le Pen vão se enfrentar no segundo turno das eleições presidenciais na França, que neste ano foram marcadas pela derrota dos dois partidos mais tradicionais do país e que praticamente se alternavam no poder.

Os pesquisadores de opinião dormirão tranquilos neste domingo (23). Os prognósticos foram acertados, e dois candidatos autoproclamados antissistema medirão forças dentro de duas semanas, em 7 de maio, com vantagem aparente para Macron. Ele venceu, como o próprio anunciou, o primeiro turno. Com 90% dos votos apurados, tinha recebido 23,5% do total.

Após conseguir a proeza de, em um ano, deixar de ser um ministro da Economia pouco conhecido para se tornar o candidato mais votado nas eleições, Macron pretende agora ser, aos 39 anos, o chefe de Estado mais jovem da Quinta República.

Apesar de seus críticos se empenharem em pintá-lo como o herdeiro do impopular presidente François Hollande, as propostas de Macron conquistaram boa parte do eleitorado.

Sua imagem renovada e sua proposta de ruptura para "desbloquear" os alicerces da sociedade francesa agradaram especialmente os eleitores com maior nível de educação e das cidades.

"Em um ano mudamos a cara da política francesa", disse um eufórico Macron a seus apoiadores no Palácio de Congressos da Porta de Versalhes de Paris.

Líder do partido En Marche (Em Movimento), criado a sua imagem e semelhança – tem até as iniciais de seu nome –, o social liberal aposta em um discurso com o qual pretende aglutinar seus compatriotas.

"Nosso país atravessa um momento inédito, marcado pelo terrorismo, o déficit, o sofrimento social e ecológico, e respondeu votando massivamente e decidido a me colocar na frente no primeiro turno", disse.

Com o mesmo afã antissistema, Le Pen conseguiu, com maior sofrimento do que parecia há somente um mês, chegar ao segundo turno, a mesma fronteira à qual seu pai, Jean-Marie, levou as ideias ultradireitistas do partido Frente Nacional (FN) em 2002.

A candidata recebia, restando 10% para o fim da apuração, 22,08% dos votos.

Em Hénin-Beaumont, cidade do norte de França que ela converteu em seu reduto eleitoral, Le Pen fez um discurso patriótico e populista no qual proclamou: "Superamos o primeiro período que levará os franceses ao (Palácio do) Eliseu".

Marine não desperdiçou um só momento para voltar suas baterias contra Macron, e disse gostar da ideia de enfrentar no segundo turno o ex-ministro – que trabalhou no passado como banqueiro – para encenar "o grande desafio destas eleições: a globalização selvagem".

"Apelo a todos os patriotas sinceros, de toda origem, para que me apoiem, que abandonem brigas antigas porque está em jogo o interesse do país, a sobrevivência da França, a unidade nacional", reiterou, em discurso para milhares de apoiadores.

No entanto, não será fácil para Marine se tornar a primeira mulher a presidir a França.

A primeira pesquisa de intenção de voto para o segundo turno, divulgada hoje pelo instituto Ipsos, aponta uma fácil vitória de Macron, com 62% dos votos.

Os grandes derrotados da noite, o conservador François Fillon (19,75%) e o socialista Benoît Hamon (6,20%), anunciaram imediatamente que votarão no social liberal para evitar assim o triunfo da extrema direita.

Após assumirem o desastre que representa para seus partidos ficarem fora do segundo turno, ao mesmo tempo, pela primeira vez na Quinta República (instaurada em 1958), ambos reconheceram sua responsabilidade pessoal nos resultados.

Mais combativo, o candidato e líder do partido de esquerda França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, admitiu que o resultado previsto pelas projeções de voto "não era o que esperava", e pediu que seus apoiadores esperem os números oficiais que serão divulgados pelo Ministério do Interior.

Com 90% dos votos apurados, Mélenchon tinha 19,45% do total.

"Os 'mediacratas' (sic) e os oligarcas estão jubilosos. Nada é tão belo para eles como um segundo turno entre dois candidatos que querem prolongar as instituições atuais", afirmou.

Além disso, ele apontou que submeterá a consulta entre sua militância o posicionamento de sua chapa em relação ao segundo turno.

Seja qual for o resultado da próxima votação, dentro de duas semanas, os franceses escreveram hoje uma página única dentro da história política de um país em ebulição.