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Argentina: greve geral desafia governo Macri

Paralisação em protesto contra medidas de austeridade atinge setores-chave do país, como educação, saúde, indústria e transporte
por Redação publicado 07/04/2017 09h55, última modificação 07/04/2017 10h28
Paralisação em protesto contra medidas de austeridade atinge setores-chave do país, como educação, saúde, indústria e transporte
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Greve demonstrou por todo o país o descontentamento com as políticas econômicas do governo

DW – Os argentinos paralisaram parte do país ontem (6) com uma greve geral contra medidas de austeridade do governo Mauricio Macri. A paralisação, a primeira na atual gestão, atingiu sobretudo o setor de transportes, e houve confrontos entre manifestantes e polícia.

Em Buenos Aires, quase todo o sistema de transporte público parou, praticamente somente os táxis circularam pelas ruas da capital argentina. O governo da cidade decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, a fim de incentivar os trabalhadores a comparecerem em seus postos de trabalho em seus próprios veículos.

Segundo o Departamento de Aviação Civil da Argentina, a greve interrompeu 800 voos e afetou cerca de 60 mil passageiros. A Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque.

A paralisação atingiu ainda fortemente setores-chave como educação, com grande parte das escolas fechadas, saúde, indústria e o bancário.

"A greve é um sucesso. Demonstrou por todo o país o descontentamento com as políticas econômicas do governo", avaliou Carlos Acuna, líder da CGT.

A economia argentina recuou 2,3% em 2016. Apesar da promessa eleitoral de baixar a inflação para 10% em dois anos, o índice, no primeiro ano do governo de Macri, chegou a 40%, e com ele houve uma queda no poder aquisitivo da população. A pobreza no país também vem aumentado, diferente do prometido. Quase um terço dos argentinos vive na pobreza.

Macri condenou a greve e disse que a paralisação não ajuda os trabalhadores. O presidente acusou ainda os sindicatos de se comportarem como mafiosos.

Confrontos

Além da greve, manifestantes protestaram em várias regiões. A polícia foi acionada para controlar os piquetes e cortes de estradas que começaram a ocorrer desde a madrugada desta quinta-feira nas entradas das principais cidades do país, com níveis de tensão maiores nos acessos a Buenos Aires.

Com um amplo esquema de segurança, a polícia reprimiu manhã de ontem com gás lacrimogêneo um grupo de manifestantes que tinha cortado o trânsito na rota Pan-Americana, um dos principais acessos ao norte da capital.

O incidente, que terminou com vários feridos e nove detidos, ocorreu depois que a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, ordenou a liberação da estrada.

Bullrich pediu que a população saísse de suas casas e não se deixasse amedrontar pelas "máfias" que, segundo afirmou, querem impedir a sociedade de exercer seus direitos. "Saiam para trabalhar, de bicicleta, carro, caminhão, caminhonete, ou o que seja", sugeriu a ministra em declarações à emissora de televisão "Todo Noticias".

Além do corte na Pan-Americana, diferentes grupos de manifestantes deram um nó no trânsito em áreas da capital como a Praça do Obelisco e em acessos como a ponte Pueyrredón, onde centenas de integrantes de movimentos sociais lançavam palavras de ordem contra o Executivo.