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Como se paga uma disputa eleitoral nos Estados Unidos?

Em "Meet the Donors: Does Money Talk?", jornalista mostra dívidas que presidencialistas carregam com empresariado após as eleições e que o país de Trump é escola no uso de caixa 2
por Patricia Faermann, do Jornal GGN publicado 09/11/2016 09h51
Em "Meet the Donors: Does Money Talk?", jornalista mostra dívidas que presidencialistas carregam com empresariado após as eleições e que o país de Trump é escola no uso de caixa 2
reprodução
campanha EUA

Em documentário, jornalista buscou vasculhar o submundo das doações eleitorais na campanha dos EUA

GGN – Um dia antes de os norte-americanos decidirem a Presidência entre Hillary Clinton e Donald Trump na agressiva disputa dos Estados Unidos, o canal de televisão HBO apresentava os bilionários financiadores de campanha, no documentário Meet the Donors: Does Money Talk? (Conheça os doadores: o dinheiro fala?).

Dirigido pela vencedora do Emmy Award Alexandra Pelosi, o filme foi lançado no dia 1º de agosto, transmitido às 21h no canal televisivo, exatamente uma semana antes de os 231,6 milhões de norte-americanos irem às urnas. Mas, no restante da América Latina, o documentário foi ao ar ontem (07), às 22h, como uma sentença do que estaria por vir no jogo político dos Estados Unidos.

A jornalista vasculhou e tentou conversar com os 100 maiores doadores da atual campanha presidencial do país, que juntos angariaram US$ 6 bilhões para seus candidatos. Com uma câmera na mão e outras conduzidas por profissionais, Alexandra foi a jantares e eventos de arrecadação de recursos, hotéis de luxo, milionárias empresas e suas residências para entender o jogo de influências.

Rompendo com o preceito de que os multimilionários repassam boa parte de seus bolsos por simples ideologia ou preferência partidária, são diversos os interesses revelados por trás da incansável articulação desses sujeitos, mas é inegável a conclusão da importância deles para bancar a publicidade de votos.

Grandes empresários não negaram a tentativa de fazer parte da política, influenciando em possíveis aprovações de projetos que favoreçam seus interesses durante o mandato daquele político, como o investidor T. Boone Pickens. Outros atrelaram o gesto de doação como parte da política de lobby - um dos pontos fracos do documentário, que não manteve preocupação de separar a legitimidade do lobby para a política, misturando-o ao financiamento de campanha, escancarando exclusivamente a face da literal compra de interesses.

Também mostrou o extremo de uma minoria que apenas quer ter uma fotografia junto ao futuro mandatário da maior economia mundial. Entre outra parcela de bilhões de doações, a clara intenção de ter um cargo no governo presidencial. Brad Freeman foi um deles, que esperava comandar a CIA durante o mandato de George W. Bush, ao comparar com os convites feitos pelo então presidente a outros conhecidos doadores, mas acabou recebendo a nobre função de cuidar de um gato, já que o animal de estimação não poderia ser levado à Casa Branca.

"O que você ganhou com doar mais de um milhão de dólares para a família Bush?", perguntou novamente Alexandra. "Eu ganhei um maldito gato!", respondeu Freeman.

Mas foi ao conversar com o número 1 do ranking de maiores doadores de campanhas para os Democratas, que Alexandra Pelosi mostrou que o esquema de corrupção aqui escandalizado na famosa Operação Lava Jato guarda escola em práticas da potência mundial.

A documentarista perguntou: "O que você sente por liderar a lista dos maiores doadores de campanha?".Tom Steyer então respondeu: "Quem disse que eu sou o número 1? Eu fui apenas o que mais revelou o quanto doou." E completou: "Big money is dark money".

Para mais informações sobre novas transmissões do documentário, acesse aqui.

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