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FMI reforma suas cotas e Brasil chega a ser um dos dez maiores credores

Enquanto porta-vozes do mercado atacam situação econômica do país, Brasil aumenta seu poder de decisão no FMI e desenvolve alternativa ao fundo ao lado de países em desenvolvimento
por Redação da RBA publicado 01/02/2016 11:48, última modificação 01/02/2016 12:52
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Enquanto porta-vozes do mercado atacam situação econômica do país, Brasil aumenta seu poder de decisão no FMI e desenvolve alternativa ao fundo ao lado de países em desenvolvimento
Roberto Stuckert Filho/PR
Brics

Brics é realidade, com a criação de banco de desenvolvimento, enquanto Ticks é ficção política

São Paulo – Enquanto o jornal inglês Financial Times, porta-voz do mercado financeiro internacional, decreta a morte dos Brics (bloco dos países emergentes com potencial de crescimento integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que seria substituído pelos Ticks (com Taiwan e Coreia do Sul, intensivos em tecnologia, no lugar de Brasil, Rússia e África do Sul), o Fundo Monetário Internacional (FMI) anuncia reforma em suas cotas, com o aumento da participação do Brasil, que passa a ser o 10º maior credor do fundo.

O correspondente internacional da Rádio Brasil Atual, Flávio Aguiar, comenta hoje (1º), de Berlim, essas imagens aparentemente contraditórias, e diz que, apesar de o Brasil, e também a Rússia, terem sofrido um enfraquecimento das suas posições por conta da quebra dos preços das commodities, não dá para negar a importância econômica desses países.

Aguiar lembra que, em 2013, em comemoração do 10º aniversário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, o então embaixador Roberto Azevêdo afirmava que o período de encantamento da imprensa internacional teria acabado. Poucos meses depois, o próprio Azevêdo seria eleito para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), vencendo o candidato apoiado pela União Europeia, os EUA e pelo mercado financeiro internacional.

"A partir daí, o Brasil entrou decididamente nas pautas negativas da mídia internacional. Só tem direito, em 95% dos casos, a coisas negativas", afirma o correspondente. O aumento do poder de voto do Brasil no FMI, passando de 1,72% para 2,21% aponta para uma grande transformação, que vem desde o momento em que o Brasil quitou sua dívida com o fundo, em 2003, afirma Aguiar, e que também incomoda os donos do capital.

"O Brasil passou de devedor a credor. Isso é algo que faz tremer a desordem financeira internacional. De fato, um país que está sob a liderança de um partido à esquerda, no espectro institucional, de grandes dimensões, desequilibra, não só os problemas econômicos mundiais, ou o modo de encara-los, mas desequilibra as narrativas sobre o andamento da economia mundial."

Aguiar diz ainda que a substituição dos Brics pelos Ticks trata-se de uma ficção, pois os primeiros mantém um projeto de integração que, dentre outras iniciativas, criou um fundo, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que deve servir de alternativa ao FMI.

"Esse é, na verdade, o grande temor das grandes finanças internacionais, centradas na city londrina e em Wall Street (EUA), é que o Brasil e demais países dos Brics venham a criar uma alternativa poderosa a essa hegemonia, que tem o predomínio das economias do norte, mantém no mundo de hoje", conclui o corresponde.

Flávio Aguiar comenta ainda sobre as eleições norte-americanas, com as primeiras convenções partidárias que ocorrem hoje estado de Iowa, e sobre as iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à disseminação ao zika vírus.

Ouça o comentário da Rádio Brasil Atual:

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