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Arábia Saudita corta relações com Irã após executar clérigo xiita

Anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, como reação ao ataque da embaixada de Riade, em Teerã, por manifestantes; ONU condena execuções
por Redação RBA publicado 03/01/2016 20:19, última modificação 04/01/2016 09:45
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Anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, como reação ao ataque da embaixada de Riade, em Teerã, por manifestantes; ONU condena execuções
Agência Lusa
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Manifestante em Teerã mostra imagem de clérigo xiita Nimr Baqer al-Nimr, morto pela autoridade saudita

Riade – A Arábia Saudita anunciou hoje (3) o corte de relações diplomáticas com o Irã, na sequência da tensão gerada pela execução do clérigo xiita Nimr Baqer al-Nimr.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, como reação ao ataque da embaixada de Riade em Teerã por manifestantes que protestavam contra a morte de Al-Nimr, um dos 47 executados na Arábia Saudita no sábado (2).

Adel al-Jubeir anunciou também que todos os diplomatas iranianos presentes na Arábia Saudita terão de abandonar o reino sunita no prazo de 48 horas.

ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou neste domingo as execuções na Arábia Saudita, entre elas, a do clérigo xiita opositor, e pediu calma para evitar um ressurgimento das tensões sectárias no Oriente Médio.

"O secretário-geral está profundamente consternado pela recente execução de 47 pessoas na Arábia Saudita, incluindo o clérigo Nimr Baqir al Nimr", disse o porta-voz da ONU em comunicado.

No sábado (2), as autoridades sauditas anunciaram a execução de quase 50 pessoas condenadas por terrorismo. Entre elas, estava o clérigo opositor Nimr Baqir al Nimr, em uma demonstração de linha dura que gerou tensão dos xiitas no Oriente Médio, sobretudo dos iranianos.

"Al Nimr e outros dos prisioneiros executados foram condenados após julgamentos nos quais houve sérias dúvidas sobre a natureza das acusações e a imparcialidade do processo", acrescentou o secretário-geral na mesma nota.

Ban, que lembrou que abordou o caso do clérigo xiita opositor "em várias ocasiões" com os líderes sauditas, reforçou sua "firme oposição" às execuções e urgiu às autoridades desse país a comutar todas as sentenças de pena de morte.

Por último, o líder das Nações Unidas pediu calma e a moderação na resposta às execuções, e que os líderes regionais trabalhem para prevenir uma "exacerbação" das tensões sectárias e lamentou os atos de violência contra a embaixada saudita em Teerã.

Protestos

Na capital iraniana, uma multidão se reuniu diante da sede diplomática saudita na madrugada deste domingo em protesto à execução de Nimr. Alguns manifestantes jogaram pedras e coquetéis molotov contra a embaixada, provocando fogo em parte do prédio. Cerca de 40 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento no ataque à embaixada, repudiado pelo presidente do Irã, Hassan Rouhani. Apesar de condenar a execução de Nimr, Rouhani afirmou que o ataque à embaixada saudita é “totalmente injustificável”.

Al Nimr foi detido em 2012 por apoiar os distúrbios e grupos terroristas em Al Qatif, de maioria xiita, e sua condenação à morte foi confirmada em outubro do ano passado pela Corte Suprema, que lhe culpou de desobedecer às autoridades e instigar a violência sectária.

A onda de execução em massa e simultânea feita ontem pela monarquia saudita contra seus prisioneiros é a maior em décadas no país. Desde a entrada do rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, que tomou posse após a morte de seu antecessor em janeiro de 2015, o número de punições por pena capital disparou na nação.

Com informações de Opera Mundi e Agência Brasil

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