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Após 54 anos de ruptura, Cuba e EUA vão reabrir embaixadas a partir do dia 20

Cubanos também exigem o fim do bloqueio, devolução da base de Guantánamo e fim de processos desestabilizadores
por Vanessa Martina Silva, do Opera Mundi publicado 01/07/2015 14h09
Cubanos também exigem o fim do bloqueio, devolução da base de Guantánamo e fim de processos desestabilizadores
Ministerio de la Presidencia
Raul e Obama

Líder cubano Raúl Castro (esq) diz que reconhece esforços empreendidos por Barack Obama

São Paulo – Os governos de Estados Unidos e Cuba finalizaram hoje (1º) as negociações para a retomada das relações diplomáticas entre os países e anunciaram a abertura de embaixadas em ambos os países em 20 de julho de 2015, após 54 anos de ruptura. Em carta enviada ao presidente Barack Obama, o líder cubano, Raúl Castro, disse que “a parte cubana assume essa decisão, animada pela intenção recíproca de desenvolver relações respeitosas e de cooperação entre nossos povos e governo”.

De acordo com comunicado do Ministério das Relações Exteriores, a abertura de embaixada é o primeiro passo para a retomada completa das relações entre os países. O órgão governamental ressalta que, para que isso ocorra, Cuba exige fim do bloqueio econômico e financeiro à ilha, a devolução da Base Naval de Guantánamo e que os Estados Unidos cessem o patrocínio a atividades desestabilizadoras, bem como a transmissão ilegal de rádios e tevês no país.

Segundo o site cubano Prensa Latina, a chancelaria do país recebeu nesta manhã uma carta assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a reaproximação diplomática entre as duas nações. O documento será encaminhado a Raúl Castro.

O responsável pela troca de informações foi Jeffrey DeLaurentis, chefe da Seção de Interesses dos EUA em Havana, que se apresentou ao Ministério das Relações Exteriores cubano nesta manhã, informou a Associated Press.

A reabertura de embaixadas é um dos passos fundamentais para a normalização das relações bilaterais, desde o histórico anúncio da reaproximação entre as duas nações, em 17 de dezembro de 2014.

No dia 29 de maio, os EUA retiraram oficialmente a ilha da lista de países patrocinadores do terrorismo, uma demanda de longa data do governo cubano. A manutenção no rol legitimava a imposição de sanções, como a proibição da venda e exportação de armas, e impedia que o país tivesse acesso aos recursos do Banco Mundial e de outros órgãos internacionais.

Obama falará sobre o assunto nesta tarde na Casa Branca. Por enquanto, não foi anunciado nenhum discurso de Castro ou de seu governo a respeito.

Raúl Castro ressaltou que o restabelecimento das relações diplomáticas se dará com base na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e “na igualdade soberana, na solução de controversas por meios pacíficos, na abstenção de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou à independência política de qualquer Estado, na não intervenção nos assuntos que são de jurisdição interna dos Estados, no fomento de relações de amizade entre as nações baseadas no respeito ao princípio da igualdade de direitos e à livre determinação dos povos, e na cooperação na solução de problemas internacionais e no desenvolvimento e estímulo do respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais de todos”.

A fala de Castro faz menção ao amplo histórico intervencionista dos Estados Unidos na América Latina e, principalmente em Cuba, onde aviões clandestinos chegaram a sobrevoar a ilha para fazer propaganda contra o governo e fumigar plantações, além do patrocínio de atos terroristas para prejudicar o turismo no país, como relata o jornalista Fernando Morais no livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” (Companhia das Letras, R$ 45).

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