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Israel implacável

Gaza vive mais uma noite de ataques e vítimas civis passam de 1.100

Com pretexto de atacar 'posições terroristas', Israel impõe escalada do terror. ONU apela para palestinos deixarem suas casas. Para o mundo do Islã, investida é 'genocídio'
por Opera Mundi publicado 29/07/2014 12h10
Com pretexto de atacar 'posições terroristas', Israel impõe escalada do terror. ONU apela para palestinos deixarem suas casas. Para o mundo do Islã, investida é 'genocídio'
EFE/Mohammed Saber
Faixa de Gaza

Palestino carrega corpo de filha, de 6 anos, morta durante bombardeio israelense na Faixa de Gaza. Terror sem fim

São Paulo – Durante a última noite e as primeiras horas desta terça-feira (29), aviões militares israelenses, com o apoio de tanques, intensificaram seus bombardeios sobre a Faixa de Gaza, principalmente na cidade de Gaza, de acordo com fontes de segurança palestinas.

O porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza, Ashraf al Qedra, informou para a imprensa que nove pessoas morreram em um ataque aéreo durante a madrugada, que também deixou outras 40 pessoas feridas e tinha como alvo um imóvel no campo de refugiados de al Bureij, no centro do território palestino.

Acrescentou que outras sete pessoas pertencentes à mesma família morreram em outro bombardeio contra uma residência na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, e que também deixou uma dezena de feridos. Fontes do Ministério da Saúde em Gaza relataram que pelo menos 15 pessoas ficaram feridas nos ataques aéreos sobre Rafah.

Além disso, aviões de combate do Exército israelense atacaram nesta manhã a casa de Ismail Haniyeh, líder do Hamas em Gaza e número 2 do movimento islamita, situada a oeste do litoral da cidade de Gaza, informaram testemunhas e veículos de imprensa ligados ao grupo.

O ataque não deixou feridos e Haniyeh saiu ileso, pois não estava no imóvel, assim como também não havia nenhum membro de seu clã familiar, quando o míssil destruiu a casa. Fontes de segurança palestinas detalharam que caças israelenses lançaram panfletos sobre a capital e iluminaram a escuridão da noite com explosivos luminosos enquanto os blindados seguiam sua ofensiva por terra.

Grandes explosões foram vistas ao oeste da Cidade de Gaza após os disparos em vários pontos, que também atingiram terrenos baldios próximos de uma escola gerida pela ONU ao sudoeste da cidade.

Qedra elevou a contagem de mortos palestinos na ofensiva, que já dura mais de três semanas, para 1.101 pessoas, enquanto os feridos já superam os 6,5 mil, a maioria civis, inclusive mulheres e crianças.

Posições terroristas

O Exército israelense informou, em comunicado, que atacou 70 "posições terroristas" em todo o território palestino durante as últimas operações noturnas em Gaza, entre eles dois centros utilizados para o comando e o controle das ações do Hamas, além de quatro armazéns de armas escondidos em mesquitas, plataformas para o lançamento de foguetes escondidas perto de uma mesquita e um túnel para uso ofensivo.

No começo do dia de hoje, o comunicado militar israelense acrescentou que as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) atacaram infraestruturas da tesouraria do Hamas, "responsável pelo financiamento e pela administração de ações terroristas na Cidade de Gaza".

As Forças de Defesa de Israel notificaram que conseguiram atingir instalações utilizadas para a confecção de material de propaganda do Hamas e da emissora de televisão al-Aqsa, que são acusadas pelo Estado judeu de incitar a população palestina contra Israel, assim como uma dezena de "destacamentos operacionais" no centro da Faixa.

O Exército de Israel ainda informou nesta terça-feira que o número de soldados mortos ontem chegou a dez, em dois incidentes separados, um no qual foram alvo de morteiros e o segundo após interceptar um ataque palestino. Desde o início da ofensiva militar israelense Limite Protetor no dia 8 de julho contra Gaza, morreram 53 soldados e oficiais do exército israelense.

Deslocamento da população

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou preocupação nesta segunda-feira depois que o Exército de Israel solicitou que os cidadãos do norte da Faixa de Gaza deixassem suas casas devido aos novos bombardeios previstos nessa localidade e advertiu o Estado judeu sobre as consequências humanitárias que esse deslocamento de população pode gerar.

Ban, através de seu porta-voz, afirmou que recebeu informações que as Forças Armadas israelenses jogaram panfletos nessa região pedindo que os "milhares de residentes" deixassem as suas casas e se dirigissem à Cidade de Gaza. "Se isso é certo, teria um impacto humanitário ainda mais devastador nos civis dessas áreas da Faixa de Gaza, que já sofreram imensamente nos últimos dias", advertiu o diplomata da ONU.

Segundo Ban, as agências da ONU presentes na região "não têm os recursos no terreno para enfrentar, ou dar assistência, a um enorme influxo adicional de pessoas desesperadas". Por isso, pediu que "todas as partes evitassem qualquer escalada neste momento" e reforçou que todos os atores devem cumprir com suas obrigações sob a lei humanitária internacional, lembrando que isso significa a segurança dos civis e a "proporcionalidade em qualquer tipo de resposta militar".

Ban, que horas antes já tinha criticado a intervenção armada de Israel em Gaza, reiterou também a condenação aos disparos de mísseis e à construção de túneis pelas milícias palestinas e voltou a exigir que as partes acabem com a violência o mais rápido possível.

Cachorro raivoso

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, condenou com firmeza nesta terça-feira os ataques de Israel na Faixa de Gaza, o que classificou como um "genocídio" em um discurso por ocasião do fim das celebrações muçulmanas do Ramadã.

"Hoje, o assunto principal para o mundo do islã e talvez para toda a humanidade é a Faixa de Gaza. Um cachorro raivoso e um lobo predador atacam seres humanos inocentes. A humanidade deveria reagir a isso como corresponde", disse em seu tradicional discurso em Teerã por ocasião da festividade de Eid ul-Fitr.

O líder supremo iraniano pediu colaboração ao mundo para que ajudem a nação palestina a "se mobilizar", informou a agência de notícias iraniana Irna. "O presidente dos Estados Unidos ordenou o desarmamento da resistência para impedir que responda após tantos crimes. Ao contrário de sua reivindicação de que o Hamas e a Jihad [Islâmica] devem se desarmar, o mundo, especialmente o islâmico, tem o dever de mobilizar a nação palestina da maneira que for possível", afirmou.

O principal líder espiritual e político da República Islâmica do Irã classificou de "genocídio" e de "enorme catástrofe histórica" o resultado dos 21 dias de ofensiva militar israelense em Gaza e o lançamento de foguetes pelas milícias palestinas. "Os culpados e seus apoiadores devem ser condenados e punidos no mundo todo. Os que se preocupam devem reivindicar seu castigo", afirmou.