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abuso de menores

ONU pede à Igreja medidas mais eficazes no combate à exploração sexual

Relatório do Comitê de Direitos da Criança avalia que medidas de combate à exploração de menores tomadas pela Santa Sé não são suficientes. Vaticano vê tentativa de interferir em doutrinas
por Redação RBA publicado 05/02/2014 15h50, última modificação 06/02/2014 09h50
Relatório do Comitê de Direitos da Criança avalia que medidas de combate à exploração de menores tomadas pela Santa Sé não são suficientes. Vaticano vê tentativa de interferir em doutrinas
EFE
vaticano

A Santa Sé divulgou, em nota, que 'está comprometida com a defesa e proteção dos direitos das crianças'

São Paulo – A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou hoje (5) que a Igreja Católica não tem tomado medidas suficientes para prevenir e punir o abuso sexual de menores em âmbito religioso e pediu que o Vaticano tome providências para investigar melhor os casos e intensifique a política de proteção a crianças e adolescentes.

A conclusão faz parte do relatório do Comitê de Direitos da Criança (CRC) da ONU, que analisa a implementação da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, de 1989. “A Santa Sé tem consistentemente preservado a reputação da Igreja e a proteção dos autores, em detrimento do interesse da criança”, aponta o documento. O Comitê ainda questiona a ausência de medidas mais eficazes do estado Católico, que, em casos de violação, apenas transfere os culpados de cargos ou paróquias, mas ainda permite que eles estejam em contato com outras crianças.

“Pessoas que conhecidamente abusam sexualmente de crianças têm sido transferidas de paróquia a paróquia ou para outros países na tentativa de cobrir esses crimes, prática documentada por várias comissões nacionais de inquérito”.

O Vaticano divulgou, em nota, que “está comprometido com a defesa e proteção dos direitos das crianças, de acordo com os princípios promovidos pela Convenção” e que fará um “minucioso estudo” do relatório feito pelo Comitê da ONU.

Entretanto, o Estado católico afirma que o documento representa, em alguns pontos, “uma tentativa de interferir nas doutrinas da Igreja Católica sobre a dignidade das pessoas e no exercício da liberdade religiosa”.

A ONU ainda criticou a criminalização da homossexualidade pela doutrina católica e disse que a postura estimula a violência contra a população LGBT e contra crianças criadas por pais do mesmo sexo.

Com informações da Agência Brasil e da EFE.