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Maduro afirma que López se entregou após negociações com governo venezuelano

Líder do partido opositor Vontade Popular entregou-se ontem (18), durante protesto em Caracas, a autoridades venezuelanas. Audiência pública nesta quarta decidirá sobre a prisão de Leopoldo López
por Redação RBA publicado 19/02/2014 13h45
Líder do partido opositor Vontade Popular entregou-se ontem (18), durante protesto em Caracas, a autoridades venezuelanas. Audiência pública nesta quarta decidirá sobre a prisão de Leopoldo López
SANTI DONAIRE/EFE
maduro discurso

Maduro: "Governo quer manter o rumo da democracia, das transformações pacíficas, legais e constitucionais"

São Paulo – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou ontem (18), em discurso a trabalhadores do setor petrolífero, no Palácio de Miraflores, que a decisão do principal opositor Leopoldo López de se entregar ao estado durante uma marcha em Caracas, na tarde de ontem, foi parte de uma negociação com o governo. De acordo com Maduro, o acordo foi conduzido pelo presidente do Legislativo, Diosdado Cabello.

Maduro ainda garantiu que irá “trabalhar pela paz”, mas que o poder executivo não está em negociação, porque “o poder é do povo”. O partido Vontade Popular, de López, tem promovido protestos violentos contra o governo venezuelano nas últimas semanas. Para o presidente, o país deverá “manter o rumo da democracia, das transformações pacíficas, legais e constitucionais”.

Segundo a Fiscal-Geral da República da Venezuela, Luísa Ortega Días, a detenção e o possível encaminhamento para a prisão de López são decididos hoje (19) em audiência no Palácio da Justiça. O opositor é acusado pelo governo venezuelano de incitação à violência e assassinato.

López afirmou, em vídeo gravado antes de ser detido, que não se arrepende de ter convocado os protestos ocorridos nas últimas semanas na Venezuela, em especial o do último dia 12, marcado pela violência e que resultou em três mortes e 60 feridos.

“Não me arrependo do que fizemos até agora, do que foi a convocatória que fizemos há muito tempo, mas que se materializou no dia 12 de fevereiro, Dia da Juventude, com centenas de milhares de pessoas nas ruas de Venezuela”, disse.

Ingerência estrangeira

Para o governo venezuelano, os protestos fazem parte de uma tentativa de grupos da direita norte-americana de derrubar o presidente Nicolás Maduro. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elias Jaua, se reunirá hoje com representantes dos países-membros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para pedir o fim da interferência estrangeira nos conflitos venezuelanos.

A Celac afirmou ontem, em comunicado, seu repúdio à violência que tem marcado os protestos venezuelanos e pediu que o governo promova o diálogo entre as forças políticas envolvidas. Além do grupo, China, Rússia, Mercosul e a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) também demonstraram apoio ao governo da Venezuela.

Jaua agradeceu o posicionamento das instituições que defendem a “preservação da paz e a institucionalidade democrática”.

Segundo o chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, a posição do Brasil está expressa nos comunicados do Mercosul e da Unasul. “Estamos dispostos a assumir as consequências necessárias para exercer a independência, a soberania e a autonomia dos poderes públicos venezuelanos”, disse o ministro das Relações Exteriores.

*Com informações de Opera Mundi e Agência Brasil