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Termina cirurgia para drenar hematoma cerebral de Cristina Kirchner

Argentina
por OperaMundi publicado 08/10/2013 12h51
Argentina
David Fernández/EFE
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Apoiadores da presidenta fazem vigília em frente ao hospital, em Buenos Aires

São Paulo – A presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, foi submetida na manhã de hoje (8) a uma intervenção cirúrgica para drenar um hematoma na parte exterior do cérebro. Segundo informações oficiais do governo argentino, a dirigente foi diagnosticada com um coágulo subdural crônico (quando há acúmulo de sangue próximo à meninge dura-máter, que fica entre o crânio e o cérebro), consequência de uma queda que teria sofrido em agosto.

Segundo informações da AFP, especialistas consideram o procedimento simples e de bom prognóstico.

Simpatizantes de Cristina Kirchner passaram a noite em frente à Fundação Favaloro Hospital Universitário, em Buenos Aires. Dezenas de pessoas fizeram vigília, com orações e cartazes de apoio à presidenta. “Ela [Cristina Kirchner] é como uma mãe [para mim]. É o que eu sinto”, disse o partidário Néstor Díaz em entrevista à agência Telam.

No domingo à noite (6), de repouso na residência oficial de Olivos, a presidenta se sentiu mal, com sintomas típicos de problemas cardíacos - tontura e formigamento no braço. Mais tarde, já no hospital, os médicos verificaram que ela estava perdendo força nos membros superiores - sintoma da compressão cerebral. Ontem (07), ela deu entrada no hospital, confirmando o diagnóstico de hematoma na parte exterior do cérebro.

Os presidentes Dilma Rousseff, Juan Manuel Santos (Colômbia) e Nicolás Maduro (Venezuela) enviaram ontem (07) mensagens de apoio à líder argentina. Os presidentes Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e José Mujica (Uruguai) desejaram hoje (08) boa recuperação para Kirchner.

Segundo informações da imprensa argentina, a decisão por uma intervenção cirúrgica indica que o quadro de saúde da presidente, 60 anos, pode ser mais grave do apresentado inicialmente. No entanto, médicos e especialistas classificam como "normal" o procedimento. "O que afeta a presidente é uma das coisas mais comuns com pessoas que sofrem um trauma na cabeça. Ocorre regularmente após um acidente", afirma Anders Cohen, chefe de Neurocirurgia do Brooklyn Hospital Center de Nova York em entrevista à AFP.

Cristina ficará no mínimo 30 dias afastada do cargo. Ontem, Amado Boudou já tinha assumido formalmente a presidência da Argentina, mediante assinatura de ata junto a um escrivão público.

A cirurgia da presidenta e o período de repouso, recomendado pelos médicos, coincidem com a reta final da campanha para as eleições para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

Atualmente, Cristina – que está na metade do segundo mandato – conta com a maioria no Congresso. Nas primárias, em agosto, o kirchnerismo sofreu a pior derrota em dez anos – desde que Nestor Kirchner foi eleito presidente em 2003 e foi sucedido por sua mulher Cristina Kirchner, reeleita em 2011.

O kirchnerismo não tem candidato às eleições presidenciais de 2015. Néstor Kirchner morreu em 2010 e Cristina só tem direito a dois mandatos consecutivos. Por isso, as eleições legislativas são observadas, pelos analistas políticos, como a oportunidade para construir alianças políticas e testar as possibilidades de eventuais candidatos à Presidência da República da Argentina.