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Democratas e republicanos fecham acordo para evitar calote nos EUA; Mantega elogia

Republicanos aceitam aumento do teto da dívida até fevereiro em troca da imposição de dificuldades ao programa de Obama na área de saúde. Ministro da Fazenda diz que demora criou insegurança
por Redação RBA publicado 16/10/2013 17h31
Republicanos aceitam aumento do teto da dívida até fevereiro em troca da imposição de dificuldades ao programa de Obama na área de saúde. Ministro da Fazenda diz que demora criou insegurança
Jim Lo Scalzo/EFE
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Se o Congresso não chegar a um acordo, dentro de horas o Tesouro não terá como arcar com obrigações

São Paulo – Senadores dos partidos Democrata e Republicano fecharam hoje (16) um acordo para reabrir o governo, fechado pela demora do Congresso em aprovar a renegociação da dívida, e evitar que os Estados Unidos deem um calote de consequências negativas para a economia global.

Pelo acordo, o Congresso aprova um orçamento que permite ao governo ficar aberto até o dia 15 de janeiro; aumenta o teto da dívida até 7 de fevereiro; estabelece a criação de uma comissão bipartidária que tem até 13 de dezembro para propor alterações nos gastos da administração; paga retroativamente funcionários que ficaram sem receber durante o fechamento; e deixa mais severa a conferência da renda dos beneficiários do Obamacare, programa de saúde que é a marca do governo de Barack Obama.

Por meio de seu porta-voz, Jay Carney, a Casa Branca anunciou que apoia o acordo do Senado e acredita que isso "vai reabrir o governo e remover a ameaça que já está prejudicando as famílias de classe média e os negócios ao redor do mundo".

No Brasil, o acordo foi saudado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o fim da paralisação da administração pública nos Estados Unidos impediu que a recuperação da atividade econômica em todo o mundo seja ameaçada. “A economia mundial está em recuperação. Estamos indo até razoavelmente bem, e uma medida dessa natureza [bloqueio do Orçamento e calote da dívida pública norte-americana] poderia emperrar esse processo”, destacou o ministro. “Isso cria uma sensação de insegurança, desconfiança e, portanto, prejudica os negócios de modo geral.”

Mantega ressaltou que a instabilidade no sistema financeiro nos últimos dias pode ter prejudicado a emissão de títulos por empresas brasileiras que queiram captar recursos no exterior. “O governo não fez nenhuma emissão [no mercado internacional], mas imagino que algumas empresas privadas tenham sido prejudicadas porque o mercado ficou um pouco nervoso enquanto a questão não foi resolvida.”

O ministro classificou o acordo final de intermediário. “Acredito numa resolução, mas não exatamente o que o governo americano gostaria, mas alguma coisa intermediária. Eles vão ganhar um fôlego intermediário e continuar empurrando essa questão por algum tempo”, disse Mantega.

Se aprovado, o projeto representa uma derrota para a linha mais conservadora do Partido Republicano, o Tea Party – que vinculava a retirada do financiamento do Obamacare ao fim do shutdown.

Ontem a Casa Branca rejeitou outro projeto, apresentado pelos republicanos, que previa o estabelecimento destes mesmos prazos, mas anulava a cobrança de um imposto previsto no Obamacare. Segundo a porta-voz para Assuntos Econômicos do governo Obama, Amy Brundage, a ideia era “uma tentativa partidária de agradar a um pequeno grupo dos republicanos do Tea Party [fração mais conservadora do partido], que forçou o fechamento do governo em primeiro lugar".

O Tea Party Patriots, organização política que promove ativismo "fiscalmente responsável" como parte do movimento Tea Party, já se declarou contrário ao acordo feito pelo Senado, classificando-o como "uma traição completa". "O presidente [da Câmara] John Boehner e a Câmara devem ficar firmes e rejeitar este acordo antes que seja tarde demais", afirmou a líder do Patriots, Jenny Beth Martin.

O senador republicano Ted Cruz, um dos maiores opositores do Obamacare, também se disse contrário à proposta e afirmou ser contrário à ideia de que o Partido Republicano não conseguiu nada depois de semanas de esforço. "Se os republicanos do Senado tivessem apoiado os da Câmara, as consequências disso, eu acredito, teriam sido muito, muito diferentes", declarou. Ainda assim, ele assegurou que não pretende atrasar a votação do projeto.

Nancy Pelosi, líder da minoria democrata na Câmara, afirmou à emissora MSNBC "nós vamos passar [o acordo] na Câmara". "Acho que os republicanos até se esqueceram de para que era o fechamento do governo", afirmou. Ela também elogiou a atuação de Harry Reid na negociação e o chamou de "mestre". "Ele foi esplêndido - intelectualmente, politicamente astuto".

Com informações do OperaMundi e da Agência Brasil.