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Rússia reafirma apoio a Síria e diz acreditar em saída política para conflito

Chanceleres dos dois países reúnem-se em Moscou às vésperas de o Congresso norte-americano começar a debater a proposta de guerra enviada por Barack Obama
por Agência EFE publicado 09/09/2013 10h59
Chanceleres dos dois países reúnem-se em Moscou às vésperas de o Congresso norte-americano começar a debater a proposta de guerra enviada por Barack Obama
©efe
protesto damasco

Ativistas protestam contra ameaças norte-americanas em Damasco, capital da Síria

Moscou – Rússia e Síria manifestaram hoje (9) a confiança em que, apesar da gravidade da situação, ainda há espaço para uma regra política ao conflito sírio, mas advertiram que uma intervenção militar desde o exterior poderia arruinar essa possibilidade.

Assim disseram os ministros de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e sírio, Walid Muallen, após conversas em Moscou, um dia antes do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se dirigir à população de seu país para explicar sua anunciada decisão de atacar alvos militares na Síria.

A mensagem de Obama coincidirá com o começo do debate no Congresso dos EUA sobre a decisão de lançar um ataque "limitado" contra alvos do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, em represália por um suposto ataque com armas químicas contra a população civil, que Washington considera demonstrado.

"Concordamos com passos práticos que vamos dar em contato com outros Estados a fim de dar uma oportunidade que se plasme uma regra política", disse Lavrov em entrevista coletiva conjunta com seu colega sírio.

O chefe da diplomacia russa acrescentou que, apesar "toda a gravidade da situação", Moscou e Damasco estão convencidos de que "ainda há possibilidades de uma regra política" ao conflito no país árabe.

Lavrov disse que a Rússia, nos últimos anos, manteve contatos com todos os grupos sírios sem exceção e que "continuará trabalhando para persuadi-los de que não há alternativa para uma conferência internacional de paz".

"Se nestes contatos entendermos que pode ser útil para a causa, não descartamos convidar a Moscou todos os que estão interessados na paz na Síria, os que estão interessados em uma regra política e rejeitam um roteiro militar", disse Lavrov.

Muallem, por sua vez, disse que "as possibilidades diplomáticas para uma regra política não estão esgotadas".

O ministro sírio disse também que o Governo de Damasco está disposto a voltar a receber a comissão de analistas da ONU que averiguou no terreno um "possível emprego de armas químicas".

O chanceler russo repetiu a tese de que são os grupos opositores sírios que usaram armas químicas a fim de culpar o regime de Assad e provocar uma intervenção militar exterior.

"Da minha maneira de ver, temos provas suficientes", disse Lavrov respondendo se Moscou tinha provas de que a oposição tenha utilizado esse tipo de armas.

Segundo o chanceler sírio, Damasco está disposto a comparecer "sem nenhum tipo de condições" a uma conferência internacional de paz para resolver mediante negociações o conflito que há dois anos assola a Síria.

"Mas se acontecer uma agressão, nossa posição mudará", advertiu Muallem.

O chefe da diplomacia síria entregou a Lavrov uma mensagem de Assad destinada ao presidente russo, Vladimir Putin, na qual agradece a postura do Kremlin frente ao conflito na Síria, em particular na reunião do G20 que foi realizada na semana passada em São Petersburgo, a antiga capital imperial russa.

Ao término dessa reunião, o chefe do Kremlin recalcou a oposição da Rússia a uma intervenção estrangeira na Síria e adiantou que ajudará o país árabe caso seja atacado desde o exterior.

"Vamos ajudar a Síria? Sim", disse Putin na entrevista coletiva final da cúpula do G20 ao responder uma pergunta sobre o que Moscou fará caso aconteça uma intervenção militar exterior na Síria.

"Já estamos ajudando. Fornecemos armas e cooperamos no terreno econômico", acrescentou o presidente russo.

Na entrevista coletiva de hoje, Lavrov expressou também a preocupação de Moscou pela sorte dos cidadãos russos que se encontram na Síria e cujas vidas poderiam ser ameaçadas caso aconteça um ataque dos EUA ao país árabe.

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