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Debate

'Os EUA invadiram o Brasil', diz Julian Assange sobre escândalo de espionagem

Criador do Wikileaks argumenta que Washington não pode entrar em território estrangeiro utilizando-se de sua própria legislação
por OperaMundi publicado 19/09/2013 11h15, última modificação 19/09/2013 11h44
Criador do Wikileaks argumenta que Washington não pode entrar em território estrangeiro utilizando-se de sua própria legislação
CC/Mídia Ninja
Assange no Centro Cultura

Assange acredita que as comunicações da América Latina podem ser interceptadas a qualquer momento por Washington através do sistema de vigilância massiva

São Paulo – O fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou hoje (19) que as manobras de espionagem desenvolvidas pela NSA (sigla em inglês para Agência de Segurança Nacional) mostram que os "EUA invadiram o território brasileiro".

"O que significa quando uma lei (Patriot Act) sai de um território e vai para outro território? Isso quer dizer que se está agindo com uma legislação nacional em território estrangeiro", disse o australiano por videoconferência durante evento em São Paulo.

Além disso, Assange acredita que as comunicações da América Latina podem ser interceptadas a qualquer momento por Washington através do sistema de vigilância massiva. Reitera também que, com as ações norte-americanas, há "um colapso no estado de direito e uma violação clara aos direitos humanos" - neste caso, em referência às intervenções no Oriente Médio.

Assange afirmou ainda que Dilma tinha a "obrigação" de adiar a visita de Estado a Washington depois de saber que foi alvo de espionagem norte-americana. "Se não tivesse tomado essa decisão, iria ser vista como fraca. Ela tem a obrigação de proteger o povo brasileiro", disse.

Sem ter recebido explicações satisfatórias do governo norte-americano sobre o esquema de espionagem, Dilma Rousseff decidiu adiar a visita oficial aos Estados Unidos que estava programada para o dia 23 de outubro. O anúncio foi feito através de um comunicado na tarde de terça-feira (17) pelo Palácio do Planalto.

Dilma conversou pessoalmente por telefone na segunda-feira (16) com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tentou evitar o adiamento e justificar o escândalo de vigilância organizado pela NSA. O órgão interceptou em 2012 conversas da presidente e de seus assessores, além de informações referentes à Petrobras e ao pré-sal. O então candidato à Presidência do México, Enrique Peña Nieto, vencedor da eleição, também foi investigado.