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queda do regime

Exército egípcio dá 48 horas para forças políticas cumprirem reivindicações

A oposição ao governo de Mohamed Mursi deu prazo até amanhã para que o presidente renuncie. Ao todo, 12 pessoas morreram e 713 estão feridas pelos confrontos decorridos de protestos nas últimas horas
por EFE publicado 01/07/2013 15h08, última modificação 01/07/2013 15h24
A oposição ao governo de Mohamed Mursi deu prazo até amanhã para que o presidente renuncie. Ao todo, 12 pessoas morreram e 713 estão feridas pelos confrontos decorridos de protestos nas últimas horas
MOHAMMED SABER/efe
mursi

Simpatizantes de Mursi foram às ruas defender o presidente, cuja renúncia é pedida nos protestos

Cairo – As Forças Armadas do Egito deram hoje (1) ultimato de 48 horas às forças políticas para que assumam sua responsabilidade e cumpram as reivindicações do povo. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, o exército declarou que anunciará um roteiro para o futuro e supervisionará sua aplicação "se não forem realizadas as reivindicações do povo nesse prazo". A oposição ao governo de Mohamed Mursi deu prazo até amanhã para que o presidente renuncie.

Nesta segunda-feira, centenas de pessoas continuam se manifestando contra Mursi após terem pernoitado em tendas de campanha na praça Tahrir e junto ao palácio presidencial de Itihadiya.

As Forças Armadas lembraram que em 23 de junho pediu que a classe política chegasse a um consenso para sair da crise. No entanto, lamentou que em uma semana não tenha havido "nenhuma iniciativa ou ato" neste sentido, o que teria motivado as pessoas a irem às ruas.

"As Forças Armadas dão 48 horas como a última oportunidade para que as forças políticas assumam sua responsabilidade neste momento histórico que atravessa a pátria, que não vai perdoar nenhuma força que deixe de assumir sua responsabilidade", disse o comunicado.

Caso isso não ocorra, o Exército considerou que terá a "obrigação nacional e histórica de respeitar as reivindicações do povo e anunciar um roteiro que deverá ser aplicado com a participação de todas as correntes leais, incluídos os jovens (que impulsionaram a revolução), e sem a exclusão de lugar algum". Além disso, advertiu que "a perda de mais tempo só conseguirá mais divisão e conflito".

As maciças manifestações de ontem domingo em todo Egito foram as maiores no país desde a revolução que derrubou o regime de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Protestos

Pelo menos 12 pessoas morreram nas últimas horas em consequência dos enfrentamentos entre islamitas e opositores na sede da Irmandade Muçulmana no Cairo, o que eleva para 20 o número de vítimas fatais nos protestos no Egito desde ontem (1) à noite, informaram à Agência EFE fontes médicas. Outras cinco pessoas perderam a vida em distúrbios similares em frente à sede do Partido Liberdade e Justiça (braço político da Irmandade) na cidade de Asiut.

As fontes acrescentaram que, no total, 713 pessoas ficaram feridas nos protestos, que foram pacíficos até o começo da noite de ontem.

Os ministros de Turismo, Hisham Zaazu; Telecomunicações, Atef Helmi; Assuntos Parlamentares, Hatem Bagato; Meio Ambiente, Khaled Fahmi, e Recursos Hídricos, Abdelqaui Khalifa, pedem "a queda do regime" e apresentaram sua renúncia porque Mursi "não respondeu às reivindicações do povo, que saiu às ruas nos protestos de 30 de junho", disse a fonte.

O ataque à sede da Irmandade – grupo ao qual pertencia o presidente egípcio, Mohamed Mursi, até assumir o cargo – começou ontem à noite com o lançamento de coquetéis molotov e pedras pelos manifestantes, enquanto de dentro do prédio tiros eram disparados contra os agressores. Entre os feridos há pelo menos um oficial da polícia egípcia, que foi baleado.

Após tomar o controle do edifício, situado no bairro de Muqatam, na periferia do Cairo, os manifestantes queimaram todos os andares do prédio e causaram danos materiais. Os escritórios da entidade foram saqueados e o grupo roubou equipamentos eletrônicos, móveis e documentos.

Em entrevista à agência oficial Mena, um porta-voz da Irmandade acusou os agressores de terem explodido pelo menos dois botijões de gás na entrada do edifício e efetuado disparos contra a sede, o que teria deixado feridos. Além disso, denunciou que o ataque aconteceu "à revelia total das forças de segurança".





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