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No aniversário do golpe de 2002, Maduro convoca 3 milhões para fechar campanha

Presidente venezuelano também anunciou a realização de diversas homenagens a Hugo Chávez nesta quinta-feira
por Luciana Taddeo, do OperaMundi publicado , última modificação 11/04/2013 16h40
Presidente venezuelano também anunciou a realização de diversas homenagens a Hugo Chávez nesta quinta-feira

Jovem leva cartaz de campanha de Nicolás Maduro em ônibus na cidade de Caracas. País vota no próximo domingo (©Amanda Perobelli/Folhapress)

Caracas – "Querem ver o povo na rua, bom, vão ver o povo na rua”, afirmou o presidente interino da Venezuela durante um ato eleitoral no Estado de Lara, na quarta-feira (10). Nicolás Maduro se referia ao evento de encerramento de sua campanha, marcado para esta tarde em Caracas, para o qual convocou três milhões de venezuelanos.

O candidato do chavismo já havia feito um chamado para que a população enchesse “sete avenidas de ponta a ponta” em memória ao encerramento da campanha de Hugo Chávez na capital, que culminou com sua reeleição em outubro do ano passado. Sob uma tempestade, Chávez falou para mais de um milhão de pessoas.

A data da marcha de apoio a Maduro em Caracas coincide com o 11º aniversário do golpe de Estado contra Chávez. Na ocasião, uma aliança entre parte das Forças Armadas, empresários e os principais meios de comunicação privados do país empreendeu uma tentativa de quebra da ordem constitucional, revertida por militares leais a Chávez e por seus apoiadores.

Referindo-se ao golpe de 2002, Maduro afirmou em um dos atos de sua campanha que, na ocasião, “mais uma vez enganaram o povo”. “Puseram a culpa no comandante Chávez para justificar um golpe de Estado. Essa é a verdade histórica”, disse, complementando que neste dia “se cometeu uma emboscada contra a história, o povo e o comandante Chávez”.

O presidente interino afirmou ainda que todas as unidades militares do país realizarão homenagens a Chávez nesta quinta-feira. Segundo ele, a recomendação para o ministro da Defesa foi que a data seja lembrada “e que se explique para até o último soldado da pátria as causas do golpe, como aconteceu, quem o deu e como as Forças Armadas e o povo derrotamos o golpe de Estado”.

Maduro também pediu aos venezuelanos que ficassem atentos, alegando que “uma emboscada contra a Venezuela está sendo preparada”. Nos últimos dias, o governo vem realizando diversas denúncias acerca de planos da oposição para gerar uma desestabilização durante a jornada eleitoral, por meio de supostas alianças com grupos mercenários de El Salvador ou com intuito de não reconhecer o resultado eleitoral deste domingo (14). 

Nesta quarta-feira, um grupo de vítimas do golpe de Estado afirmou que ficará em “alerta permanente nos dias prévios e posteriores” ao pleito. Na ocasião, há 11 anos, pelo menos 19 pessoas morreram e 100 ficaram feridas devido a disparos de franco-atiradores e policiais.

Para Antonio Molina, representante legal do Comitê de Vítimas de 11 de abril, antecedentes do sequestro de Chávez em 2002 se assemelham ao cenário atual. “Estamos na presença de setores que se disfarçam, que pretendem se apresentar aos cidadãos como respeitosos dos canais constitucionais, mas os planos que foram revelados os apontam como autores de um plano b”, afirmou em coletiva de imprensa.

Oposição

Como no ano passado, o candidato do bloco opositor MUD (Mesa de Unidade Democrática) fez o último ato de sua campanha na capital do país dias antes do governismo. No último domingo (07/04), Henrique Capriles concentrou centenas de milhares de apoiadores na avenida Bolívar, no centro da capital venezuelana.

No dia do encerramento de sua campanha, Capriles passará pelos Estados de Apure, Portuguesa e Lara, onde termina a jornada. Paralelamente, 312 caravanas simultâneas mobilizarão apoiadores em todo o país durante a tarde para “protestar contra os 100 dias de governo de Maduro”, segundo o diretor nacional da campanha opositora, Carlos Ocariz.