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Trabalhadores europeus fazem greves e protestos contra medidas recessivas

Greves gerais deflagradas na Espanha e Portugal têm forte adesão de setores industriais. Dia será de protestos espalhados pelo continente
por Redação da RBA publicado , última modificação 14/11/2012 15h00
Greves gerais deflagradas na Espanha e Portugal têm forte adesão de setores industriais. Dia será de protestos espalhados pelo continente

Manifestantes fazem piquete em estação de trem durante greve geral nacional em Madri. Milhões de trabalhadores protestam no sul da Europa pela conta a pagar para enfrentar a crise do mercado financeiro (©Paul Hanna/Reuters)

São Paulo – Esta quarta-feira (14) é o dia escolhido pelas principais organizações de trabalhadores da Espanha e Portugal para uma greve geral contra as chamadas medidas de "austeridade", adotadas pelos governos para enfrentar a crise financeira na Zona do Euro e que impõem cortes em programas sociais, redução dos direitos trabalhistas e aumentos de impostos.

São previstas manifestações também em países como Itália, Inglaterra, França e Grécia. Centrais sindicais brasileiras programaram um ato de apoio ao movimentos dos trabalhadores europeus, em São Paulo.

Já no início da manhã, milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades da Espanha e de Portugal, com dezenas de prisões registradas, em decorrência de confrontos entre manifestantes e a polícia nos dois países.

Na Espanha, embora o governo conservador de Mariano Rajoy fale que o país se encontra em um estado de “normalidade”, destacando o cumprimento dos serviços mínimos, houve grande adesão no setor industrial e nos transportes.

De acordo com dados da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Confederação Sindical de Comissões Operárias (CCOO, na sigla em espanhol), principais sindicatos que organizaram a paralisação, o balanço das dez primeiras horas de greve contabiliza participação maciça nos setores da indústria siderúrgica, automobilística, química e construção civil.

As associações afirmam que há paralisação de quase 100% nos portos (à exceção de 90% em Bilbao e 50% em Melilla), 90% dos aeroportos e no transporte rodoviário e ferroviário. “A paralisação na indústria foi quase total, embora tenha havido menor incidência nas fábricas da Renault e da Citroen”, afirma o secretário de comunicação da UGT, José Javier Cubillo. Em Madri, a greve paralisou totalmente o serviço de metrô, segundo a UGT. Até as 6h, 131 voos e aterrisagens foram cancelados e apenas 28 foram operacionalizados.

Os dois grupos esperam que a alta adesão da indústria e dos transportes acabe por fazer com que o comércio seja afetado e não abra suas portas, o que já é verificado em ruas de Madri onde ocorrem os protestos. Alguns grandes estabelecimentos comerciais, como o El Corte Inglés, abriram sob forte proteção policial.

Portugal

Em Portugal, a greve foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP). A União Geral de Trabalhadores (UGT) não aderiu ao protesto, mas diversos sindicatos ligados a essa central optaram por convocar seus integrantes à adesão.

O transporte coletivo está praticamente paralisado nas principais cidades portuguesas, afetando ônibus, metrôs e bondes.

O líder da CGTP, Arménio Carlos, criticou a presença de policiais e de forças especiais de segurança, como a tropa de choque, junto a piquetes de greve em Lisboa, classificando-as de “brutalidade”. “Esta pressão reflete o clima de preocupação do governo, que sabe que perdeu até a sua base de apoio eleitoral. Mesmo as pessoas que votaram PSD (Partido Social Democrata) e CDS-PP (Centro Democrático Social - Partido Popular) [que formam o governo] estão zangadas, revoltadas, e a utilização de forças de segurança, que deveriam estar a combater o crime, para intimidar os trabalhadores e os sindicatos é uma atitude inadmissível e um exemplo de brutalidade”, diz o sindicalista.

Austeridade

As medidas de austeridade da Espanha para reduzir o déficit público são a única maneira para o país sair da crise econômica, afirmou o ministro da Economia, Luis De Guindos, no momento em que trabalhadores em todo o país realizam a greve geral.

"O governo está convencido de que o caminho que seguimos é o único possível, a única maneira de sair da crise", disse De Guindos a jornalistas em Madri. "O governo vai cumprir todos os seus compromissos... é uma prioridade não porque é imposta por Bruxelas, mas porque precisamos reduzir a dependência do setor público espanhol por crédito", completou ele, referindo-se às metas de déficit da Espanha.

Já em Portugal, a recessão aprofundou-se no terceiro trimestre, com a demanda doméstica prejudicada pelo programa de austeridade imposto sob o resgate internacional do país. A economia contraiu 3,4 por cento na base anual, informou também nesta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), já ultrapassando o índice de 3,2 por cento do trimestre anterior.

Esse resultado marcou o sétimo trimestre consecutivo de contração, naquela que é a recessão mais profunda do país desde a década de 1970, e acompanha retrações econômicas prolongadas em países periféricos da zona do euro.

Desemprego sobe

No mesmo dia da greve pela Europa, o Instituto Nacional de Estatística (INE) informou que a taxa média de desemprego em Portugal subiu para 15,8% no terceiro trimestre, ante 15% no segundo e 12,4% em igual período de 2011. O número de desempregados foi estimado em 870,9 mil, crescimento de 26,3% sobre o terceiro trimestre do ano passado, ou 181,3 mil pessoas a mais. O número de ocupados (4,656 milhões) é 4,1% menor (197,4 mil a menos).

 

 

 

 

Com reportagens do Ópera Mundi e Reuters