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Grécia concorda com mais austeridade em troca de empréstimo bilionário

Bancada de esquerda no Parlamento de Atenas acusa governo conservador de 'imaturo'
por Fillipe Mauro, do OperaMundi publicado , última modificação 27/11/2012 12h37
Bancada de esquerda no Parlamento de Atenas acusa governo conservador de 'imaturo'

O premiê Antonis Samaras afirmou que "um novo dia começa para todos os gregos" (Foto: Yves Herman / Reuters)

São Paulo – Após horas de negociação com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ministros das finanças de países da União Europeia, o governo da Grécia concordou em reforçar suas medidas de austeridade em troca de mais um lote de empréstimos avaliado em 44 bilhões de euros.

O premiê conservador Antonis Samaras garantiu que seu gabinete encontrará meios de reduzir em 40 bilhões de euros o montante da dívida pública grega. Ele se diz satisfeito com os termos da negociação e afirmou que “um novo dia começa para todos os gregos”. 

A bancada oposicionista de esquerda não compartilhou do mesmo otimismo de Samaras e argumenta que os resultados da concessão desse novo empréstimo serão apenas mais uma série de cortes em serviços públicos já defasados pela crise financeira da Zona do Euro.  

Mercados financeiros do mundo todo reagiram positivamente ao anúncio, embora entidades financeiras definitivamente não descartem a possibilidade de Atenas deixar o bloco europeu. Bolsas da região fecharam todas em alta e reverteram os resultados negativos na segunda-feira (26). O novo acordo bilionário também repercutiu em meio a investidores da Ásia e da Oceania. Relativamente ao dólar, o Euro chegou hoje (27) à maior cotação em semanas.

Os 44 bilhões de euros serão depositados nos cofres gregos até o próximo dia 13 de dezembro. Constam nos planos do governo não apenas assegurar o pagamento das aposentadorias, mas também sanar a liquidez de instituições bancárias. Em um ambiente de intensa recessão, o governo acredita que com a contração de mais empréstimos conseguirá atrair investimentos externos para o país.

Segundo o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, esse tipo de medida "fortalecerá a confiança na Europa e na Grécia”. No entanto, dentro de um prazo de oito anos, o governo de Atenas não acredita que conseguirá fazer com que sua dívida pública esteja em um patamar inferior ao PIB (produto interno bruto). Se hoje o endividamento do país gira em torno dos 144% de todas as riquezas produzidas, até 2020 esse número não deve ficar abaixo da marca dos 124%.

"Esse é um compromisso imaturo” disse à BBC Dimitris Papadimoulis, deputado do partido de esquerda Syriza. A seu ver, isso não é nada mais do que “um curativo sobre o enorme ferimento que é a dívida grega”. Papadimoulis também acusa a chanceler alemã, Angela Merkel, de ter recusado projetos que iriam efetivamente reduzir pela metade a dívida grega.

O BCE se comprometeu a reduzir a taxa de juros sobre os empréstimos concedidos até hoje. Também está previsto a entrega a Atenas de 11 bilhões de euros que a Zona do Euro obteve em lucros com títulos da dívida pública grega. Na tentativa de aquecer o mercado financeiro local, ministros da União Europeia também alegaram que ajudarão a Grécia a comprar de investidores privados os mesmos títulos que vendeu para sanar suas instituições bancárias.

Dos 240 bilhões de euros em empréstimos prometidos pela troika (comitê formado por membros do BCE, do FMI e da Comissão Europeia, já foram entregues 150 bilhões. O preço dessa operação é a assiduidade a severos planos de austeridade, que incluem cortes no orçamento de serviços básicos de bem-estar social, como hospitais, previdência social e instituições de ensino.

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