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Bolívia aceita fazer parte do Mercosul e quer começar negociações imediatamente

Evo Morales diz que a grande vantagem do bloco sul-americano é que nenhum de seus membros possui acordos de livre comércio com os Estados Unidos; Paraguai diz que invalidará qualquer nova adesão aceita sem sua autorização
por Redação da RBA publicado , última modificação 22/11/2012 17h37
Evo Morales diz que a grande vantagem do bloco sul-americano é que nenhum de seus membros possui acordos de livre comércio com os Estados Unidos; Paraguai diz que invalidará qualquer nova adesão aceita sem sua autorização

Evo Morales acredita que, depois da Venezuela, Mercosul deve incorporar Bolívia e Equador para formar 'braço econômico' da Unasul (Foto: ABI)

São Paulo – O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse hoje (22) que o país aceita fazer parte do Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai – que está atualmente suspenso devido à "quebra da institucionalidade democrática" provocada pelo impeachment relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo, no último 22 junho.

"As razões para pertencer ao Mercosul é que nenhum de seus membros têm tratados de livre comércio (TLC) com os Estados Unidos", afirmou Morales em um discurso transmitido pela tevê durante a comemoração de dois anos de uma força militar chamada Grupo Aéreo Presidencial. O presidente lembrou que, por outro lado, dois países da Comunidade Andina de Nações (CAN), bloco regional de que faz parte, mantêm acordos do gênero com Washington: Colômbia e Peru.

A Bolívia atualmente é membro associado do Mercosul. O país recebeu há apenas dois dias um convite formal para integrar o bloco como membro pleno. De acordo com o chanceler boliviano, David Choquehuanca, a oferta lhe foi dirigida pelo alto representante do Mercosul, o brasileiro Ivan Ramalho, durante uma visita a La Paz. "Uma vez o país tome a decisão, já iniciaremos um processo de diálogo na próxima Cúpula do Mercosul, em Brasília, nos dias 6 e 7 de dezembro", disse Choquehuanca na ocasião.

Hoje, o presidente Evo Morales afirmou que a absorção da Bolívia pelo Mercosul é uma oportunidade para avançar rumo à integração regional, não apenas para a circulação de produtos, mas também de pessoas. "É um proposta para que avancemos", considerou o líder boliviano. "Estamos de acordo, e muito vai depender dos parlamentos."

Aprovação

Além de coordenar aspectos técnicos, como a fixação de tarifas comuns, o futuro ingresso da Bolívia como membro pleno do Mercosul dependerá da aprovação dos congressos de todos os países que formam o bloco. O último país a entrar no Mercosul foi a Venezuela, cuja adesão oficializou-se no dia 31 de julho, depois de seis anos de negociação política e econômica. Ainda assim, a entrada dos venezuelanos se deu sem o consentimento do parlamento paraguaio, já que o país estava suspenso.

De acordo com a BBC, as autoridades de Assunção já advertiram seus vizinhos de que não aceitarão a adesão da Bolívia se esta se concretizar durante o período de suspensão do Paraguai. "Eles tomam a decisão de convidar a Bolívia sem um acordo prévio com o Paraguai, e isso não está correto", afirmou o chanceler José Féliz Estigarribia, que assumiu após a queda de Fernando Lugo.

Além da Bolívia, o Equador também deseja há alguns anos transformar-se em membro pleno do bloco sul-americano. Ambos fazem formalmente parte da CAN e frenquentam o Mercosul como associados. "O PIB da CAN alcança 279 bilhões de dólares, enquanto o do Mercosul está em 1,9 trilhão de dólares", comparou Evo Morales. "Como não poderíamos estar nesse mercado tão grande?"

O presidente da Bolívia acredita que, depois da entrada de Caracas, a adesão de La Paz e Quito ao Mercosul converteria o bloco numa espécie de "braço econômico" da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) – grupo que conjuga todos os países da região e serve como fórum de concertação política. A ampliação, continuou Morales, também facilitaria as negociações entre o Mercosul e outros blocos econômicos mundiais, como a União Europeia.