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Franco é denunciado por tentar influenciar processo que culminou no golpe contra Lugo

O atual presidente paraguaio minimizou a hipótese de que os camponeses são inocentes no massacre de Curuguaty
por Vitor Sion, do Opera Mundi publicado 09/10/2012 16h27, última modificação 09/10/2012 16h28
O atual presidente paraguaio minimizou a hipótese de que os camponeses são inocentes no massacre de Curuguaty

Federico Franco é acusado de atentar contra a liberdade entre os três poderes do Estado (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)

São Paulo – O presidente do Paraguai, Federico Franco, foi denunciado por tentar interferir no Poder Judiciário durante o julgamento do massacre de Curuguaty, que deixou 17 mortos e foi o estopim para o processo de deposição de seu antecessor, Fernando Lugo.

A questão foi apresentada ao Ministério Público pela organização Peicc (Plataforma de Estudo e Investigação de Conflitos Camponeses). A argumentação é a de que Franco tem buscado influenciar as investigações do caso ao refutar a hipótese de que os camponeses não foram responsáveis pelo início do conflito.

O presidente também afirmou que o dirigente camponês Rubén Villalba, um dos acusados pelas mortes de 15 de junho, é um “assassino”. As declarações de Franco são contrárias ao princípio de presunção de inocência, segundo o presidente da Peicc, Domingo Laíno.

“Franco é do Poder Executivo e não pode opinar sobre questões de outro Poder do Estado”, disse Laíno, de acordo com o jornal ABC Color.

A denúncia da Peicc foi recebida pelo promotor Jalil Rachid, que poderá incluir a argumentação no processo, o que obrigará Franco a se defender na Justiça paraguaia.

Na semana passada, Lugo também criticou a forma como as investigações têm sido feitas. “Não foi um simples enfrentamento entre camponeses e policiais”, afirmou o ex-presidente, vítima de golpe de Estado no final de junho, cuja justificativa era o mau cumprimento de suas funções.

Desde a deposição de Lugo, o Paraguai está suspenso do Mercosul e da Unasul (União das Nações Sul-Americanas). A tendência é que o país volte a ser incorporado após as eleições presidenciais de abril de 2013.

 

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