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Disputa acirrada revela vigor da democracia na Venezuela, diz historiador

Hugo Chávez foi mais uma vez reeleito, mas agora com uma oposição que disputou no campo da legalidade
por Redação da RBA publicado , última modificação 09/10/2012 10h47
Hugo Chávez foi mais uma vez reeleito, mas agora com uma oposição que disputou no campo da legalidade

São Paulo – A acirrada disputa entre Hugo Chávez e Henrique Capriles na disputa presidencial revela o vigor da democracia na Venezuela, segundo o jornalista, historiador e professor de Relações Internacionais de Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Gilberto Maringoni. Para ele, a melhoria na qualidade e vida dos cidadãos venezuelanos pode explicar a reeleição de Chávez com 54,4% dos votos no domingo (7).

“Historicamente, o sistema eleitoral venezuelano é preparado para receber 30% dos eleitores, já que a votação não é obrigatória. Nesta eleição, o comparecimento dos eleitores chegou a 80% da população, algo nunca atingido antes”, disse em entrevista à Rádio Brasil Atual. O professor explica que o caráter acirrado da disputa eleitoral pode ser apontado como causa da grande participação do povo venezuelano nas eleições. O candidato da oposição Henrique Capriles recebeu 44% dos votos.

“Entre 2002, quando a oposição deu um golpe que retirou o presidente Chávez por três dias do poder, e 2005, quando eles se abstiveram de participar das eleições parlamentares, a tática que vigorou foi a do confronto fora do âmbito institucional. A oposição não reconhecia a legalidade do sistema político venezuelano”, diz. 

Porém, o professor também traça debilidades no sistema político venezuelano. O fato de Chávez estar sucessivos mandatos no poder é uma delas. Segundo ele, a dificuldade de se pensar em um substituto para o atual presidente reside principalmente na figura quase mítica que Chávez adquiriu através dos anos. “Mais do que um líder, ele é tido como um herói nacional, porque tentou derrubar um governo num processo golpista, há 20 anos. Não existe nenhuma figura assim”.

Para o jornalista, Chávez precisa trabalhar uma liderança que o substitua. “Não é fácil, mas é preciso se pensar nisso como consolidação democrática, porque senão o governo venezuelano será eternamente dependente de uma só pessoa”.

Ouça aqui a reportagem de Marilu Cabañas.