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Banda Pussy Riot, na Rússia, vai continuar com protestos, diz integrante libertada

por Marina Mattar, do OperaMundi publicado , última modificação 12/10/2012 10h24

A banda punk feminina Pussy Riot vai continuar a protestar contra o governo russo do presidente Vladimir Putin e permanece unida apesar da repressão contra suas integrantes. Este foi o recado de Yekaterina Samutsevich, a componente do grupo libertada na quarta-feira (10), para as autoridades do Kremlin.

Em decisão inesperada do Tribunal Municipal de Moscou, a ativista recebeu a liberdade condicional enquanto as outras integrantes da banda, Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina, permanecem presas. O trio estava apelando a condenação de dois anos por “vandalismo motivado por ódio religioso” por manifestação contra Putin no altar da Catedral de Cristo Salvador.

“Todas nós temos as mesmas convicções. Nós nunca pensamos em transformá-las”, disse Yekaterina em uma entrevista exclusiva à emissora independente russa Ren-TV que será exibida neste sábado (13). O canal divulgou alguns trechos da conversa Yekaterina, que aparece vestindo as mesmas roupas de quando foi solta.

“Para mim, isso é uma campanha de assédio calculada pelas autoridades”, afirmou ela ao se referir à cobertura midiática estatal sobre o julgamento da Pussy Riot. A ativista ainda acrescentou que a sua libertação pode fazer parte de “um jogo estranho do governo” para tentar separar a banda. “Talvez tenha sido uma jogada” do Kremlin, acrescentou.

Perseguição política

Para críticos ao governo de Putin, o julgamento das Pussy Riot foi mais um sinal de que o Kremlin não tolera críticas nem dissidências. “Estamos pedindo às autoridades russas para tirar suas queixas de vandalismo e soltar imediatamente Maria, Ekaterina e Nadezhda”, disse Kate Allen, diretora da Anistia Internacional do Reino Unido. 

Protestos pedindo a liberdade das integrantes da banda percorreram cidades de todo o mundo nesta semana, chegando a mobilizar até mesmo artistas que se apresentaram no país. Sting, Red Hot Chili Peppers e Madonna pediram em suas apresentações pela libertação das integrantes da banda punk. “Nos tempos soviéticos ou nos tempo de Stálin, os julgamentos eram mais honestos do que esse”, afirmou o advogado de defesa Nikolai Polozov perante o tribunal. Os advogados da banda acusaram a justiça de agir com parcialidade favorável a acusação e que o processo não passa de uma repressão política do regime de Putin. 

No início do julgamento, Yekaterina mostrou preocupação com o atual quadro político russo: “estou considerando isso como o início de uma campanha autoritária e repressiva do governo que procura dificultar a atividade política e criar um sentimento de medo entre os ativistas políticos”.

Nova união

“A situação em nosso país deteriorou desde o nosso protesto e o julgamento por si só foi um testemunho disso”, lamentou ela ao sair da prisão à rede CNN. Apesar disso, a ativista não mostrou desânimo e disse que este cenário de repressão apenas serviu para unir ainda mais a Pussy Riot e outros grupos opositores.

“Nós não vamos terminar nosso protesto político”, afirmou Yekaterina. “Nós estamos mais unidas do que nunca... vamos lutar pela liberdade de Masha e Nadia!”.

Suas afirmações reiteraram a carta enviada por outra integrante da banda, Nadezhda, logo depois da condenação. “Algo inacreditável está acontecendo na cena política da Rússia: uma pressão poderosa, insistente e exigente da sociedade frente às autoridades”, escreveu ela. “Qualquer que seja o veredito, nós já vencemos. Porque aprendemos a ficar indignados e a falar politicamente”, escreveu.