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Mercosul busca alternativa para concretizar entrada da Venezuela

Paraguai ainda não aprovou ingresso, o que impede adesão plena do país governado por Hugo Chávez. Ministros de relações exteriores têm reunião no Uruguai
por Marina Terra publicado , última modificação 20/12/2011 15h25
Paraguai ainda não aprovou ingresso, o que impede adesão plena do país governado por Hugo Chávez. Ministros de relações exteriores têm reunião no Uruguai

São Paulo – Os ministros de Relações Exteriores dos países do Mercosul procuram encontrar em Montevidéu uma "fórmula jurídica" que permita concretizar a entrada efetiva da Venezuela ao bloco, fechada em 2006, mas que ainda sofre recusa do Parlamento do Paraguai. Além disso, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, confirmou que irá a Montevidéu nesta terça-feira (20), em mais uma tentativa de convencer os paraguaios.

Atualmente, a Venezuela é membro associado e para ser membro pleno precisa, segundo determinam as regras internas do Mercosul, da autorização dos quatro parlamentos. Brasil, Argentina e Uruguai já o aprovaram, mas ainda resta o Congresso paraguaio, onde opositores do presidente Fernando Lugo usam o tema para pressionar o chefe de Estado.

“Isso não tem precedentes, que um pequeno grupo político do país detenha, não a Venezuela, mas o avanço de um projeto como o Mercosul, não há precedentes, disso não há precedentes. (O bloco) é um projeto geopolítico que beneficia os países e neste caso, a América do Sul”, disse Chávez.

"Há uma fórmula sobre a mesa que está em discussão",  disse o chanceler uruguaio, Luis Almagro. Mas adiantou que sua resolução dependerá do encontro de terça-feira entre os presidentes. Almagro explicou que esta "fórmula jurídico-política" deve ser "absolutamente consistente e complementamente coerente com o Tratado de Assunção e contemplar as sensibilidades políticas de todos os membros do Mercosul. O bloco continua funcionando sobre a base de consensos".

O Uruguai propôs que a Venezuela passe a ser membro pleno apenas com a autorização do Executivo paraguaio, até que o Parlamento confirme esta decisão. A ideia foi respaldada pela Argentina, mas não convenceu os governos do Brasil e, principalmente, do Paraguai. O chanceler argentino Hector Timerman manifestou durante o encontro seu apoio à proposta uruguaia e afirmou que a "Venezuela não pode seguir esperando para deixar de ser um cidadão de segunda categoria".

"A Venezuela merece ser um cidadão de primeira, porque demonstrou uma solidariedade e uma generosidade com todos os países do Mercosul, Unasul e da região toda, que excede o que alguém espera de um país", disse Timerman em seu discurso, divulgado pela chancelaria argentina.

Durante o encontro de terça-feira também está prevista a assinatura de um tratado de livre comércio com a Palestina, a qual os países do Mercosul reconheceram ao longo do último ano.

Fonte: OperaMundi