Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2011 / 11 / "Super Mário" Monti é aposta conservadora da Itália para sair da crise

"Super Mário" Monti é aposta conservadora da Itália para sair da crise

Novo primeiro-ministro é economista ortodoxo que irá centrar-se na reconquista da confiança de especuladores do mercado financeiro, mesmo à custa do crescimento
por anselmomassad publicado , última modificação 13/11/2011 23h57
Novo primeiro-ministro é economista ortodoxo que irá centrar-se na reconquista da confiança de especuladores do mercado financeiro, mesmo à custa do crescimento

Monti ganhou a alcunha de "super" durante sua passagem pela Comissão Europeia, quando enfrentou grandes bancos alemães e multinacionais poderosas (Foto: Giuseppe Lillo/Wikipedia)

São Paulo – O ex-comissário europeu Mario Monti foi indicado, neste domingo (13), para o cargo de primeiro-ministro da Itália pelo presidente Giorgio Napolitano. Como chefe de governo, ele terá como principal desafio fazer a economia da nação superar a crise. A escolha do sucessor de Silvio Berlusconi mantém a opção por um governo de centro-direita e indica uma gestão conservadora do ponto de vista das finanças do país, com prioridade para o ajuste fiscal com consequências recessivas.

A primeira missão conferida a "Super Mário", como ficou conhecido durante o primeiro de seus dois mandatos na Comissão Europeia, será colocar em vigor o pacote de medidas da chamada Lei de Austeridade, aprovada no sábado (13) pelo Parlamento e que abriu as portas para a saída de Berlusconi. Por ser a terceira economia da zona do euro, as incertezas sobre a capacidade italiana para honrar o pagamento de compromissos financeiros coloca a moeda comum em risco.

O fim de semana foi movimentado no país. O ex-primeiro-ministro entregou o cargo quatro dias depois de ter perdido a maioria na Câmara dos Deputados. O prazo foi associado à condição de fazer aprovar o pacote de cortes de 59,8 bilhões de euros até 2014, mais aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), congelamento de salários de servidores e prorrogação da idade mínima para aposentadorias. "Il Cavaliere" saiu do Palácio de Quirinale, sede da Presidência da República sob vaias da população romana.

"O presidente da República (...) recebeu o senador Mario Monti e conferiu um mandato para formar um governo", informou um comunicado do palácio presidencial. Monti deve optar por um governo sem lideranças políticas importantes, mas por técnicos, para tentar resgatar a confiança de bancos e investidores de bolsas de valores mesmo à custa do crescimento econômico, já que os cortes no orçamento e aumento de tributos devem ter efeitos recessivos sobre uma economia que vem crescendo pouco nos últimos 15 anos.

Nomeado senador vitalício às pressas, na quarta-feira (9), o economista deve escalar 12 ministros já nesta segunda-feira (14). Ele terá apoio de partidos como o Povo da Liberdade (PdL), de Berlusconi, além de legendas de centro e de direita que atualmente estão na oposição. Foi isso que permitiu a celeridade no processo de escolha. Em dois dias cumpriram-se os ritos que, normalmente, levam dias ou semanas.

Aos 68 anos, Monti ficou conhecido na Itália em embates contra bancos alemães e empresas como Microsoft e General Eletric. Ele nasceu em Varese, no norte do país, formou-se em Ciências Econômicas e Comerciais pela Universidade Luigi Bocconi, em Milão, e na de Yale, nos Estados Unidos.

Ao contrário de Berlusconi e seus envolvimentos em escândalos sexuais, o novo primeiro-ministro mostra-se discreto e reservado nas aparições públicas, quase sempre ladeado da mulher, Elsa, com quem tem dois filhos. Também ao contrário de seu predecessor carismático, ele mostra pouca disposição para lidar com o universo político, um dos motivos por que recusou convites anteriores para compor governos nos últimos anos.

Com informações da Reuters