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Evo Morales acusa uso político de marcha popular

Enquanto isso, após quase dois meses os manifestantes contrários a uma rodovia que vai cortar um parque indígena se aproximam do palácio de governo, na capital La Paz
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 09/10/2011 09h22
Enquanto isso, após quase dois meses os manifestantes contrários a uma rodovia que vai cortar um parque indígena se aproximam do palácio de governo, na capital La Paz

O presidente da Bolívia, Evo Morales, viu o protesto em frente à Casa Branca como um pedido de invasão da Bolívia (Foto: Freddy Zarco. Agência Boliviana de Informação)

São Paulo – O presidente da Bolívia, Evo Morales, voltou a acusar um uso político da marcha realizada há quase dois meses contra a instalação de uma rodovia dentro do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Securé (Tipnis), no leste do país.

“Os inimigos históricos do movimento indígena agora aparecem como grandes defensores do movimento indígena quando lhes interessa politicamente. Antes era inimigos dos direitos da Mãe Terra e agora aparecem como defensores da Mãe Terra”, afirmou o presidente, em referência aos partidos opositores da chamada Meia Lua, que abrange os departamentos (o equivalente a estados) do Oriente boliviano.

“Nas épocas passadas era golpe de Estado militar. E agora usam a nossos irmãos e alguns grupos com qualquer pretexto para que eles se aproveitem disso e outra vez se apropriem de nossos recursos naturais”, acrescentou.

A marcha dos povos indígenas de Tipnis foi retomada na última semana após uma interrupção por conta de repressão policial. O episódio provocou forte desgaste no governo nacional, que se viu na obrigação de afirmar que a ordem para a atuação repressiva não partira de nenhum integrante do alto escalão. Ainda assim, quatro deles deixaram os cargos – dois em protesto contra os fatos, dois para permitir a investigação, para a qual Morales convidou integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Unasul, em uma tentativa de minimizar o mal-estar e a deterioração da imagem internacional.

Durante discurso no sábado (8), o presidente comentou ainda o protesto organizado por bolivianos em frente à Casa Branca para pedir uma atuação dos Estados Unidos no caso de Tipnis. “Estão pedindo uma invasão à Bolívia e não é possível que nossos irmãos indígenas do Oriente boliviano sejam instrumentos para que a direita peça a invasão”.

Marcha se aproxima da La Paz

Enquanto isso, a marcha chegou a Caranavi, a 140 quilômetros de La Paz. Os cerca de 2 mil manifestantes estavam escoltados por motos e foram recebidos com aplausos e saudações dos habitantes da cidade. 

Os moradores saíram ao encontro dos índios na cidade de Sapecho, 20 quilômetros antes de Caranavi, onde entregaram a eles cobertores, roupas, alimentos e medicamentos, já que a partir de agora se iniciará a subida até os 3.600 metros de altitude de La Paz. "Esta extraordinária recepção nos enche de assombro e de felicidade. Agradecemos a solidariedade de nossos irmãos", declarou Adolfo Chávez, principal dirigente indígena do oeste da Bolívia. 

Por sua vez, uma das moradoras que deram as boas-vindas aos manifestantes, Daniela Alvarez, criticou a falta de esclarecimento do episódio da repressão. Ela ainda agradeceu "aos nossos irmãos pelo sacrifício que voltou a unir o nosso povo". 

Com informações da Agência Boliviana de Informação e da Agência Ansa Latina.