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Setor da saúde amplia protestos no Chile

por Redação da Rede Brasil Atual publicado 13/09/2011 19h28, última modificação 13/09/2011 19h48

São Paulo – O governo do Chile enfrenta a partir desta terça-feira (13) mais uma movimentação nacional relacionada ao déficit acumulado de políticas públicas no país. Depois de quatro meses de greves e protestos tendo como principal reivindicação a reforma do sistema de ensino, hoje foi a vez de os trabalhadores da saúde pública iniciaram hoje uma greve de 48 horas por melhores condições de trabalho e de atendimento.

O sistema de saúde municipalizado tem 26 mil funcionários em mais de 500 consultórios e 2.000 postos de saúde rurais. Segundo a Confederação Nacional de Funcionários da Saúde Municipalizada (Confusam), a paralisação teria sido "absoluta" em todas as regiões do país.  A entidade critica o descumprimento de um acordo assinado em novembro do ano passado com o Ministério da Saúde, a falta de financiamento da saúde primária, a privatização de hospitais e postos de atendimento.

Em nota, a Confusam condena a política de concessões "a empresas privadas para resolver demandas que os estabelecimentos públicos não podem resolver dadas as carências de recursos que os afligem e que nem os governos da Concertación, nem os atuais, resolveram, muito pelo contrário". A paralisação será interrompida nesta quarta-feita (14) à espera de um posicionamento do governo. Caso não haja respostas satisfatórias, uma nova greve – de três dias – é prometida para o final do mês. 

Também nesta quarta, estudantes e professores chilenos realizarão uma marcha para pressionar o governo a responder sobre as exigências mínimas para formar uma mesa de diálogo. Desencadeado desde abril, com importantes manifestações que levam milhares de pessoas às ruas, o movimento chileno pela educação pública e de qualidade reivindica o comprometimento de 10% do PIB ao setor.

Na segunda-feira (12), uma carta em que são listadas condições para o estabelecimento do diálogo com o governo foi entregue ao Ministério da Educação pela mesa executiva da Confederação Nacional de Estudantes do Chile (Confech) e o diretório do Colégio de Professores. O ministro Felipe Bulnes não se reuniu com os ativistas – que foram recebidos pelo chefe de gabinete, Germán Subercaseaux.

Na carta, os estudantes se dizem dispostos a resolver o conflito na educação por meio do diálogo. Mas pontuam quatro medidas que o governo deve tomar para possibilitar o diálogo: adiar o prazo limite para o encerramento do primeiro semestre; suspender os projetos de lei relativos à educação que estão no Congresso Nacional; transmitir as mesas de diálogo pela televisão; e que o Estado não conceda mais recursos às universidades com fins lucrativos.

De acordo com o presidente da Federação da Universidade de Los Lagos, Patricio Contreras, a atitude do movimento não deve ser vista como "colocar armas no peito das autoridades”, mas como mecanismo para estabelecer "condições mínimas”. Contreras lembra que, em 2006, os estudantes secundaristas da Revolução dos Pinguins haviam confiado em políticos e acabaram se decepcionando.

Com informações da Agência Ansa e de Camila Queiroz, do Portal Adital

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