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Sete em cada dez chilenos reprovam presidente Piñera

por Redação da RBA publicado 06/09/2011 11h28, última modificação 06/09/2011 11h40

O presidente chileno, Sebastián Piñera, bate recordes sucessivos de impopularidade (Foto: ©Victor Ruiz Caballero/Reuters)

São Paulo – A desaprovação ao presidente Sebastián Piñera segue em crescimento e volta a atingir níveis inéditos no Chile. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Adimark, 68% dos chilenos reprovam o político conservador, seis pontos a mais que no levantamento de julho.

Os protestos de estudantes e professores nos últimos três meses, as greves nacionais e as irregularidades nas obras de reconstrução do terremoto que afetou o país no ano passado são apontados como explicações para a má avaliação. Em relação ao governo, 70% o reprovam, e 25% consideram o trabalho de regular a positivo.

O rechaço à gestão da educação chegou a 81%, e apenas 15% aprovam o manejo do governo no setor. A dificuldade de Piñera para negociar com alunos e professores que querem uma mudança radical do sistema educacional não parece render frutos positivos ao presidente. Sua aposta em indicar que se trata de um pequeno grupo de radicais intransigentes é rechaçada pela população, que em 76% demonstra apoio às causas que movem os maiores protestos desde a redemocratização chilena. 76% indicam também que não aprovam a maneira como o governo conduz a crise, e 52% estão a favor das formas de luta escolhidas pelos jovens. 

Outros segmentos tampouco são bem avaliados. Apenas 24% veem de maneira positiva a condução da área de transporte público, e 17% estão a favor da maneira como se combate a violência no país.

Descrença

Além dos dados a respeito do governo de Piñera, chama atenção a descrença da população com a classe política chilena. 37% dizem não se identificar nem com governo nem com oposição, sete pontos a mais que no levantamento anterior. Ainda que 39% se digam de oposição à atual administração, a reprovação à Concertação, coalizão partidária que governou o país durante duas décadas e agora é o principal bloco de oposição, atingiu 71%. Os números confirmam aquilo que é dito pelos estudantes mobilizados. Os líderes dos movimentos têm reiterado não aceitar um acordo negociado entre quatro paredes pela classe política tradicional e indicam que não se sentem representados por qualquer partido, sendo necessário reformular a Constituição chilena para ampliar os fóruns de participação popular.