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Italianos fazem protesto e greve geral contra plano de "austeridade"

por Redação da RBA publicado , última modificação 06/09/2011 14h51

Manifestante protesta em frente à bolsa de valores de Milão, protestos ocorreram em 100 cidades (Foto: Paolo Bona/Reuters)

São Paulo - Os trabalhadores italianos promovem uma greve geral nesta terça-feira (6), com protestos em diversas cidades. Eles criticam o plano de "austeridade" defendido pelo governo para reduzir gastos públicos e cortar investimentos na área social – incluindo previdência e seguridade públicas – além de aumentos de impostos. A discussão tramita no Congresso. A convocação da greve foi feita pela maior central sindical italiana, a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL).

Em Florença (centro da Itália), 10 mil pessoas reuniram-se. Houve relatos de protestos em Roma e em Gênova (norte do país). Segundo a central, marchas acontecem em mais de cem cidades. Segundo os sindicalistas, as medidas do governo estimulam a demissão de empregados. "É um plano que este país não merece. Estamos à beira do abismo e precisamos de um governo responsável", disse a secretária-geral da Cgil, Susanna Camusso. De acordo com os organizadores, a adesão à greve deve durar oito horas.

O plano foi lançado em agosto e o governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, quer aprová-lo ainda em setembro. Segundo os governistas, o objetivo é equilibrar o orçamento do governo central até 2013, incluindo reformas no mercado de trabalho e estímulo às privatizações de serviços públicos. Vale lembrar que, em junho, um referendo descartou a venda de empresas de abastecimento de água, por exemplo.

A economia italiana é vista com desconfiança desde o início da crise em países europeus. Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda enfrentam instabilidades envolvendo risco de moratória. O desempenho desses países tem sido fraco desde o início da crise, em 2008, e ela apenas se agravou apesar de ações dos governos para estimular a atividade econômica.

Nesta terça-feira, o texto do plano italiano chega ao Senado. Se aprovado como se espera até o final desta semana, o projeto segue para a Câmara dos Deputados. O governo tem maioria em ambas as casas.

A alíquota do imposto sobre valor agregado deve ser elevado de 20% para 21% e um imposto de 3% será cobrado sobre rendas acima de 500 mil euros. Há mudanças administrativas, com transferência de decisões sobre orçamento dos governos provinciais para os regionais. As mudanças mais críticas são o atraso para a aposentadoria de mulheres empregadas no setor privado a partir de 2014.

Agências de notícias relatam cancelamentos de voos e operação restrita de trens, metrôs e ônibus em Roma. Pontos turísticos, como o Coliseu de Roma, estão fechados devido às manifestações.

Com informações do OperaMundi e da Reuters