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Morales defende indicação de Lula a secretário-geral da ONU

Outros líderes presentes na Cúpula do Mercosul comparam o mandatário brasileiro a Pelé e a "embaixador plenipotenciário no conserto deste mundo"
por Redação da RBA publicado , última modificação 18/12/2010 13h12
Outros líderes presentes na Cúpula do Mercosul comparam o mandatário brasileiro a Pelé e a "embaixador plenipotenciário no conserto deste mundo"

Morales entende que Lula merece o cargo por sua capacidade de persuadir opositores e integrar os povos (Foto: Ricardo Stuckert. Presidência)

São Paulo – O presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu nesta sexta-feira (16) que o presidente Lula seja eleito secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) devido à capacidade de solução de conflitos e integração das nações. A declaração foi feita durante a Cúpula do Mercosul, que é realizada na cidade paranaense Foz do Iguaçu.

“O presidente Lula vem de lutas sociais e sindicais e demonstrou na América sua grande capacidade de cooperação aos demais povos com solidariedade e irmandade”, afirmou Morales.

O boliviano ponderou que Lula conseguiu, ao mesmo tempo, comandar a luta pelos pobres e assegurar o crescimento econômico do Brasil. “A gestão do presidente Lula foi excelente e repercutiu em toda a América Latina. Além disso, ele deixa o poder com uma popularidade superior a 90% entre seus compatriotas, o que provoca inveja em outros mandatários.”

Presente ao encontro, Lula apenas sorriu quando ouviu a proposta do líder vizinho. Mais tarde, em conversa com jornalistas, o presidente afirmou: "Eu só posso compreender a indicação como um gesto de cortesia do meu companheiro Evo Morales." Ele lembrou ainda que não é conveniente que se reivindique ou articule indicação para esse tipo de cargo.

"Acho que a ONU precisa ser dirigida por algum técnico competente, não pode ter um político forte, porque ele não pode ser maior do que os presidentes dos países”, avaliou Lula, sem falsa modéstia. “Posso contribuir sem ter cargo. Não preciso mais de cargo, preciso somente de motivação”, afirmou o presidente.

Os chefes de Estado sul-americanos deram as boas vindas à presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff. A argentina Cristina Kirchner afirmou que será bom ter mais uma mulher no poder. "Vai nos fazer muito bem incorporar uma companheira de  gênero. Eu já me senti um pouco sozinha”, declarou, em um discurso que ressaltou a importância da participação feminina na vida política. "A esperamos com muito afeto e carinho e também com muito amor."

O encontro se encerrou com a transmissão da presidência do Mercosul para o Paraguai. No último semestre, o bloco foi presidido pelo Brasil. O ano chega ao fim sem a aprovação da entrada da Venezuela na união de países. Após duras discussões no Congresso brasileiro, o projeto sobre o ingresso da nação hoje presidida por Hugo Chávez esbarra na resistência de parlamentares paraguaios.

Pelé e 'plenipotenciário'

O presidente brasileiro foi aclamado ainda por outros líderes. "Lula é um homem imprescindível, não apenas na América Latina, mas no mundo", afirmou o presidente chileno, Sebastián Piñera. O chileno também usou a frase "fica Lula", numa referência aos pedidos de "fica Pelé" feitos pela torcida durante a partida de despedida do craque da seleção brasileira no Maracanã.

O presidente do Uruguai, José Mujica, chamou Lula de "embaixador plenipotenciário no conserto deste mundo". "Obrigado pelo que tem feito, obrigado pelo que tem que fazer", disse Mujica a Lula, visivelmente emocionado.

O presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, também se somou ao coro e disse que o presidente brasileiro é um "bem muito valioso" para se perder. O encontro em Foz do Iguaçu foi o último compromisso internacional de Lula, que encerra seu segundo mandato no dia 1o de janeiro, quando assume a presidente eleita Dilma Rousseff.

Com agências